segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Os Três Mosqueteiros

Ricardo Icassatti Hermano

Vai chegar o dia em que nenhum filme será mais feito em 2D. O cinema será totalmente 3D. O que é uma pena, pois tirando desenho animado e alguns tipos catastróficos de filmes, o cinema 2D é a melhor opção. Pelo menos para mim, o efeito 3D precisa ter um propósito, não pode nem deve ser utilizado indiscriminadamente ou apenas porque dá bilheteria. Bem mais cara por sinal.

Cartaz do filme

Imagine um filme como Meia Noite em Paris em 3D. Ficaria bobo, com cara de produção da Disney, ou pior, com cara de parque temático e montanha russa ... Também não é só por ser de ação que um filme precise ter efeito 3D. É o caso, por exemplo, do recém-lançado Os Três Mosqueteiros. Felizmente estamos  vivendo aquela etapa de transição tecnológica, em que o velho convive com o novo até que o novo domine, e os filmes são lançados em 2D e 3D. Eu preferi assistir em 2D.

O 3D não adiciona nada, ao contrário, retira

A história é um clássico literário que se transformou num clássico cinematográfico do tipo aventura de capa e espada. Mas, o romance de Alexandre Dumas é um sucesso desde 1844 porque aborda valores caros ao ser humano, como a lealdade. Lembram do lema: "um por todos e todos por um"? E tem toda a aventura, é claro. 

Tempos românticos, aventureiros

Assim como também fazemos com nossas Blog-Novelas, Dumas romanceou fatos importantes dos reinados de Luís XIII e Luís XIV e da Regência que se instaurou na França entre os dois governos. Ele também retratou as artimanhas do Cardeal Richelieu, uma eminência parda que tramava contra o rei a quem servia e, por consequência disso, as agruras da rainha Ana de Áustria

O Cardeal, o Rei, a Rainha e os Mosqueteiros

O ator que interpreta o Cardeal (Christoph Waltz) é o mesmo que fez o psicopático Coronel Hans Landa em Bastardos Inglórios. Levou até uma merecidíssimo Oscar pela fabulosa interpretação. Talvez até por isso, vi em Richelieu um protótipo daquele que séculos depois aterrorizou a Europa e o mundo, Adolf Hitler. Tal como o alemão, o francês também tinha a sua Gestapo. Daí o conflito com a guarda pessoal do Rei, os Mosqueteiros. 

Quatro contra 40, para ser uma luta justa e uma boa briga

Eu sou fã dessa história desde criança. Sonhava com aquelas aventuras e pautei minha vida por aí. Tornei-me um lutador e um viajante contumaz. O jornalismo apenas se encaixou nesse plano e foi bom porque me ajuda a contar minhas andanças pelo mundo. Agora, no final do ano, embarco em mais uma aventura. Mas, sobre isso, falarei após a viagem : )

Milla Jovovich faz a Milady de Winter e me fez lamentar
que as mulheres tenham trocado o espartilho pelo silicone

Sendo fã incondicional, devo ser também um caso raro, pois assisti todos - literalmente - os filmes dos Três Mosqueteiros já produzidos. Os mesmo aconteceu com os filmes do Tarzan. Acompanhei a evolução nas coreografias de lutas, no capricho das produções e na forma como os roteiristas se "baseiam" na história original. 

Deve ser muito legal interpretar um Mosqueteiro

Nessa evolução, foram incorporados elementos dos filmes de artes marciais, do Missão Impossível, do 007 e muita, mas muita mesmo, imaginação. Ainda não sei se acho bom ou ruim. Sem dúvida, o filme fica mais animado, mas perde na localização de época, aspecto que aprecio quando é respeitado.

O filme é produzido e interpretado por ingleses. A velha rixa entre Inglaterra e França é naturalmente explorada. Claro que os ingleses não perderam a oportunidade de dar uma sacaneada, retratando a realeza francesa como um bando de bichas loucas preocupadas apenas com a moda. Não se deram ao trabalho nem de improvisar um sotaque afrancesado. Os atores e atrizes falam o mais puro e elegante inglês britânico e nós perdemos a chance de ouvir aquelas moças bonitas falando francês, o que, vamos combinar, é uma delícia. 

Não sei porque os ingleses acham que parecem
menos bichas que os franceses

Me deu até saudade da Françoise, que me chamava de Ricardô e eu a chamava de Chiquinhá ... perdidos na selva/ mas que tremenda aventura/ você até jura/ nunca sentiu tamanha emoção/ meu uniforme brim cáqui/ não resistiu ao ataque/ das suas unhas vermelhas/ meu bem, você rasgou meu coração/ Oouooh/ eu e minha gata rolando na relva/ rolava de tudo/ covil de piratas pirados/ perdidos na selva ... (Gang 90 & As Absurdettes)


Bien, o filme é uma tremenda diversão, mas também fala de cavalheirismo, coragem, bravura, lealdade, ideais, honra, amor e amizade. Sempre com bastante humor. Há uma cena em que os Mosqueteiros Athos, Porthos e Aramis explicam a D'Artagnan como se tornaram obsoletos justamente por acreditar nessa nobreza de espírito. Algo que faz muita falta atualmente.

"Um por todos e todos por um"

O Café & Conversa preza tudo isso e recomenda o filme. Vale o ingresso e é diversão garantida para toda a família. Veja o trailer.


Um comentário:

Valéria del Cueto disse...

Serei obrigada a discordar. Detestei o filme. Alexandre Dumas não merecia ver sua obra transformada nessa porcaria, que começa seus incontáveis equívocos com a escolha do elenco. Quem já leu os Três Mosqueteiros sabe do que falo.

A tentativa de tentar modernizar o filme foi um tiro n'água. A linguagem é chula, as modificações na história deprimentes. Nada acrescentaram a original, que sobrevive através do séculos.
Viva Dumas e abaixo os que transformam sua obra nessa banalidade superficial.