segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Música do Dia - Grand' Hotel - Paula Toller


Romoaldo de Souza

O Doutor Otternschlag, vivido por Lewis Stone, é um veterano da I Guerra Mundial e hóspede permanente do Grand Hotel, situado numa estreita rua de Berlim. Seu passatempo predileto é observar, com avidez, o entra e sai dos moradores do hotel.

Entre esses hóspedes-moradores, está o Barão Felix von Geigern, brilhante papel na carreira de John Barrymore, empresário que "torrou" toda a fortuna que tinha e passa a viver como jogador de cartas e ladrão ocasional de jóias.

Também ocasionalmente, o industrial Preysing, primeiro grande papel de Wallace Beery, chega ao Grand Hotel, para fechar um importante negócio.

A bailaria russa Grusinskaya, no auge da decadência, também aparece no Grand Hotel, onde pessoas vão e vem e quase nada acontece. O papel de Greta Garbo vai ganhando notoriedade quando ela descobre que o Barão roubou as suas jóias também. Mas a bailarina Grusinskaya sente-se atraída por aquele homem sedutor, apesar do caráter pouco ortodoxo.


A sedutora Greta Garbo, vivendo a bailarina decadente
Grusinskaya no Grand Hotel

Sedução, roubo, briga e morte, mas poucos amores duradouros marcam Grand Hotel, filme escrito por William Drake e Béla Balázs, baseado no romance de Vicki Baum. O filme foi orçado em 700 mil dólares, um orçamento generoso para os atores que reuniu.


Bom, eu contei uma parte da história de Grand Hotel, para falar de Paula Toller. "Se a gente não tivesse inventado tanto, podia ter vivido um amor Grand' Hotel", diz a vocalista da banda Kid Abelha.


Criada pelos avós paternos, Paula Toller não teve o convívio da mãe que fugiu quando ela era ainda criança, mas foi acolhida pelo avô, Paulo Amora, ex-assessor da Presidência da República e apreciador de Back, Mozart, Beethoven e Chopin. Tinha tudo para dar certo. E deu.


Além da música clássica, Paula Toller ouvia música espanhola, óperas, Beatles, o único rock que o avô deixava ela escutar, além de Carmem Miranda e Elis Regina.


Estudou desenho industrial e comunicação visual, mas um dia, depois de ouvir James Brown e Tim Maia, no fone do ouvido do irmão, jogou tudo pro alto e decidiu comprar discos de rock pesado. Janis Joplin, Pink Floyd e Michael Jackson passaram a povoar a mente brilhante daquela loirinha simpática.


- Um dia, eu estava no meu quarto, daquela "pensão" do vovô. Meu namorado assistia TV na sala de visita, quando ouvi um som legal e corri para ver o que era. Era Grang 90 e as Absurdettes, cantando "Perdidos na Selva", num festival da Globo. Naquele momento, minha vida mudou completamente e passei a ter certeza de que cantaria aquele tipo de música - conta Paula Toller.


Largou a faculdade, entrou para a banda Kid Abelha, descobriu o alemão, idioma que estuda até hoje, faz psicanálise uma vez por semana e joga tênis duas vezes. Sempre que um "pensamento não desejável" passa pela cabeça da líder do Kid Abelha, ela pega o carro e sai pelas ruas do Rio de Janeiro, ouvindo música em alto volume.


- Quando isso não é possível, entro na banheira. Essa é uma das minhas situações preferidas - diz a mãe de Gabriel e mulher do cineasta Lui Farias de Com licença, eu vou à luta, Lili a Estrela do Crime e Os Porralokinhas.


Cartaz do filme que inspirou Paula Toller e os colegas do
Kid Abelha a escreverem Grand' Hotel

Hoje, Paula Toller faz 48 anos. Feliz aniversário para essa linda cantora que adora café e aboliu açúcar há bastante tempo e compôs Grand' Hotel pensando no filme em que viu, pela primeira vez, Greta Garbo.


Grand' Hotel

George Israel / Paula Toller / Lui Farias


Se a gente não tivesse feito tanta coisa,
Se não tivesse dito tanta coisa,
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor Grand' Hotel.

Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom Dia"...

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?

Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom Dia"...

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Só pra se viver.

Ficar só
Só pra se viver...
Ficar só
Só pra se viver.



4 comentários:

Claudia disse...

"Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor..."
Essa letra é perfeita!!!!

Mônica Bustamante disse...

Não sabia que a letra era baseada no filme. Sempre gostei desta música. Muito bom o texto e a versão apresentada no vídeo.

Lena disse...

Eu também não sabia que essa música tinha algo a ver com o filme. Post nota 1000. E a música com a Paula Toller é D+. Esse blog já está e vai bombar mais ainda. Parabéns! Um abraço.

Fernanda disse...

Parabéns, é lindooooo!!!