sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

72 Horas, um filme tenso e uma questão interessante


Ricardo Icassatti Hermano

Está em cartaz um filme chamado 72 Horas. O filme é tenso e coloca uma questão interessante para quem gosta de refletir. Eu explico. Reflexão exige um certo acúmulo de conhecimento, alto nível de curiosidade, inteligência pelo menos mediana e saber que não existe a palavra "presidenta". Está explicado. Sigamos adiante.

Cartaz do filme

O filme narra a estória de uma mulher, esposa e mãe, que é acusada de ter assassinado a sua chefe (não é "chefa") logo após uma forte discussão no escritório. O nome dessa mulher é Lara Brennan e é interpretada pela gata Elizabeth Banks. Você sabe que uma mulher é gata quando ela continua gata mesmo sem maquiagem e vestindo um macacão de prisioneira.

Entendeu porque se usa atrizes bonitas em filmes?

Todas as evidências apontam Elizabeth como a autora do assassinato. Ela alega inocência e ter esbarrado em outra mulher quando se dirigia para o estacionamento, onde ocorreu o crime. Nesse esbarrão, ela diz ter ouvido o som de um botão do seu casaco sendo arrancado e também sai com uma mancha do sangue da chefe (não é "chefa"), que só percebe no dia seguinte pela manhã, pouco antes da polícia invadir sua casa e a levar presa.

Liam Neeson faz o cara que ensina como planejar uma fuga da prisão

No frigir dos ovos, ela é condenada à prisão perpétua. O único que acredita em sua inocência é o seu marido, John Brennan, interpretado pelo provocador de suspiros femininos, Russel Crowe. Os amigos, os parentes, o advogado e até ela mesma não acreditam mais. O maridão então resolve tomar uma providência e tirar a mulher da prisão. O resto é melhor assistir, porque o filme é sensacional.

Contra tudo e todos, o maridão planeja e executa o plano de fuga

Ao final, porém, resta a questão a que me referi no início desse post. Desde crianças, somos educados para aceitarmos e acreditarmos no sistema que engloba a polícia e a justiça. Somos educados para confiar que esse sistema nos protegerá e saberá separar quem é bom de quem é ruim. No entanto, ninguém nos diz que o sistema não é perfeito, justamente porque é mantido por seres humanos. 

O filme é eletrizante

E a questão? A questão é: quando o sistema falha conosco, temos o direito de tomar a justiça em nossas mãos? Podemos corrigir a falha do sistema? Devemos fazê-lo? É filosoficamente justificável? Ou devemos aceitar a falha e engulirmos o prejuízo irreparável que possa causar às nossas vidas?

Foi essa conversa após o filme que tive com dois dos meus filhos e a namorada de um deles, que acaba de se formar em Direito e defendeu esse tema em sua tese. É por essas e outras que celebro cada centavo investido na educacão dos meus filhotes. O filme é imperdível. Assista o trailer.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Memélia Easy Rider e a caneca globetrotter


Ricardo Icassatti Hermano

Eu estava começando minha carreira jornalística, era apenas um foca cursando o último semestre na faculdade, quando conheci a já famosa jornalista Memélia Moreira. Se não me falha a memória, ela trabalhava no jornal Folha de São Paulo. Eu escrevia umas notinhas para rádio na assessoria de imprensa do antigo Ministério do Interior.

Memélia era e continua sendo uma grande fã e defensora dos índios brasileiros. Como a FUNAI fazia parte da estrutura do Ministério, Memélia sempre aparecia por lá acompanhada de um monte de índios, inclusive os famosos. Tinha até um que trabalhou numa novela. Lembro da voz dela, alta e forte, suas risadas enchiam os corredores.

Cresci bastante naquela assessoria porque tive bons mentores, Ricardo Franco e Ismar Madeira. Dois grandes jornalistas e seres humanos de primeira linha. Eles me deram enormes oportunidades, ensinamentos e responsabilidades. Confiaram naquele garoto esforçado. Dali, bati asas e fui assessorar outros vários ministros. É muito elucidativo trabalhar dos dois lados do balcão ...

Ocasionalmente, esbarrava com a Memélia. Brasília é uma cidade do interior metida a besta e o poder fica concentrado no conjunto que reúne a Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios. Os jornalistas que cobrem política e governo ficam zanzando por ali e acabam se conhecendo, criando laços de amizade, mesmo que tenham linhas políticas completamente opostas.

Fiquei muitos anos sem notícias da Memélia, até que nos esbarramos novamente numa outra cidade do interior metida a besta, chamada Twitter. Desde então temos mantido boas conversas, por enquanto sem café. É que ela casou, mudou e não nos convidou. Se mandou com o marido gringo para a Flórida, nos Estados Unidos da América.

Mas, ela prometeu que vem a Brasília para conhecer o neto e aí vamos nos sentar numa cafeteria bacana, tomar um excelente café e trocar umas ideias. E sendo amiga do Café & Conversa, acabamos sendo agraciados com a sua generosidade em levar a caneca mais cult do mundo digital para passear.

Quem acompanha o blog sabe o quanto essa caneca tem viajado, sempre na aba dos amigos. Foram vários países da Europa, Coreia, Brasil, países da América do Sul e agora Caribe e Estados Unidos da América, a terra do Tio Sam, o Império da democracia ocidental e do capitalismo que derrotou o comunismo. E quem nos conta essa história é a própria Memélia.

CANECA GLOBETROTTER
Memélia Moreira

Elegante e cosmopolita, ela já visitou o Palácio das Concubinas, em Seul, acompanhada por @maria_lima, ouviu o murmurar da fonte onde Leonardo da Vinci bebeu água, na bela Toscana. Estava nos braços generosos de @clarafavilla, que também a levou à poderosa Holanda. Para completar, submeteu-se ao desafio dos desafios: foi ao Inferno. E voltou.

Essa vocês já conhecem. É o lugar de onde vêm os sobrinhos ...

Esteja onde e com quem estiver, ela será sempre vista sob a escolta de dois distintos cavalheiros e, às vezes, farta dos paparazzi, ela se esconde para não ser fotografada.
Sabe que já se tornou objeto de desejo até de @ascanioseleme, um jornalista daqueles que dá gosto conversar. Ele jura que não se ajoelhou para cortejá-la, mas há controvérsias ...

Afinal de contas, estar em companhia da caneca do @CafeConversa tornou-se “in”, diriam revistas das celebridade. Calma! Ela ainda não decidiu se visita ou não a ilha de “Caras”. Só para terem uma idéia, quando ela chegou aos Estados Unidos, foi imediatamente levada para a biblioteca, lugar nobre da casa onde se hospeda. Escolheu a companhia dos livros para seu refúgio em dias de intenso calor ou frio confortável.

Caneca metida a intelectual

Enquanto adia a decisão se aceita o convite para um fim de semana na “ilha dos famosos”, que pode ser uma ex-BBB ou uma modelo/manequim/atriz, a caneca visita outras ilhas mais, vamos dizer, “democráticas”.

Sintam só o tamanho da mordomia. Caneca checando a conta numerada ...

Esteve em Castway, nas Bahamas, Cozumel, no México e em Grand Cayman, um protetorado da “velha e pérfida Albion” pousada nas águas de profundo azul do misterioso Caribe, onde a lavagem de dinheiro vem com o selo “by appointment of Her Majesty”. A Majesty em questão é, no momento, Elizabeth II da Inglaterra.

Em Cozumel, checando o Calendário Maia para ver
se o mundo acaba mesmo em 2012

Mas foi exatamente nessa ilha que virou até nome de um falso dossiê (ou será que já nos esquecemos do Dossiê Cayman?) que a elegante caneca descobriu que, sim, o Inferno existe. E se chama “Hell” porque afinal de contas, o Diabo veste Prada e não calça de brim das Lojas Pernambucanas e, claro, fala inglês.

Mas, antes dessa viagem na qual contemplou o Caribe e deitou-se nas esponjas de Key West, a caneca fez um tour por Downtown Disney, em Orlando, centro de peregrinação de um país chamado Mickeylândia. Apaga, apaga. O país se chama Estados Unidos.

Caneca entre as esponjas marinhas de Key West, estilo Spa

Queria ver se era verdade os boatos sobre a lona de concreto do Cirque de Soleil e ouvir boa música na House of Blues, além de visitar um pub irlandês. E até sentou-se ao lado de James Joyce. Ela não contou, mas sua intenção íntima era saber se é verdade de que sua bebida preferida, o café, sofre maus-tratos no país que se orgulha de ter as mais “avançadas das avançadas tecnologias”.

Só tenho uma coisa a dizer: ter bom gosto é foda!

E o café é tão desprezado que os nativos o chamam de “regular coffee”. Perambulou pelas mais diferentes atrações de Downtown só para ter certeza de que sim, as maledicências procedem. O café (???) só se chama “regular” naquelas bandas porque desconhecem o pejorativo muito usado nas Terras Brasilis: “chafé”.

Memélia Easy Rider saiu em busca de um bom café nos EUA

Depois de experimentar várias marcas, a caneca suspirou: “argh!”. Mas tão discretamente que poucos perceberam o olhar de compaixão que ela lançou para as dezenas de Starbucks e Joe´s Mug visitados.

Memélia e a caneca procuraram bastante,
mas não encontraram um café decente

Enquanto espera a primavera brasileira para tomar um bom e verdadeiro café, a caneca elegeu o Panera, despretensiosa casa de chá em Kissimmee, para se distrair com o “regular coffee”. Pelo menos ali, o líquido é, vamos dizer, razoável. E foi lá, frente a um laptop, que ela selecionou imagens de seu giro pelo Caribe, prometendo a si mesma estender suas fronteiras até o Alaska, assim que puder.

Caneca confraternizando com a galera do Cirque du Soleil

É lá que a caneca do @CaféConversa espera que os pobres gringos, diante daqueles lagos e da aurora boreal, se redimam e lhe ofereçam um bom café. E enquanto espera o dia da redenção do dos estadunidenses, segue sua vocação de ser a mais globetrotter de todas as canecas de qualquer café do planeta.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano Novo, resoluções imortalidade e tentações


Ricardo Icassatti Hermano

Mais um ano se passou e nem sequer ouvi falar seu nome. Assim dizia o lendário Cassiano em sua criação imortal, a clássica canção dor de cotovelo A Lua e Eu. Mas, ano novo sempre leva as pessoas a pensarem numa vida nova. Como se pudessem se livrar de tudo o que viveram até o dia 31 de dezembro e renascer à meia noite, tal qual uma abóbora daquela estória infantil.

Ano Novo, a eterna esperança

Até lista de resoluções para o ano novo se dão ao trabalho de escrever. Deve ser para não esquecer que são novas pessoas e aquelas do ano passado não existem mais. Essas listas geralmente acabam esquecidas dentro de alguma gaveta, livro ou agenda.

"Esse ano eu ganho a Mega Sena da Virada"

Os seres humanos são coisas estranhas ao mundo. Somos os únicos seres conscientes de si próprios e de sua finitude. Assim mesmo, adoramos nos iludir e vivemos como se imortais fôssemos, gerando uma série de conflitos, medos e problemas subconscientes por causa disso. Não queremos e não aceitamos duas inevitabilidades: o envelhecimento e a morte.

"Pô Eva, agora fudeu ... vamos envelhecer e eu vou ter que trabalhar ..."

Sempre estamos procurando um jeito de driblar nossa consciência. Seja com uma infinidade de cremes e poções mágicas; seja com cirurgias plásticas e outras deformações corporais; seja com remédios tarja preta; ou seja simplesmente pintando os cabelos brancos. Há quem chegue ao cúmulo de encomendar o embalsamento do corpo ou seu congelamento.

"Em 2011, prometo fazer a dieta da laranja ..."

Nessa incansável busca por nós mesmos, inventamos essa onda de "vida nova no ano novo". Criamos também uma vida após a morte reproduzindo o que temos por aqui e até um retorno eterno para nos consolar. Chamamos isso de reencarnação.

Isso não tem fim

Sempre nos cansamos do que somos e precisamos nos reinventar para nos tornarmos minimamente suportáveis a nós mesmos. O ser humano está destinado ao sofrimento e, por isso, também gosta de pensar no fim do mundo e especular datas como se fosse uma competição para ver quem acerta. E o fim do mundo acaba acontecendo para as milhões de pessoas que morrem todos os dias.

BUM!

Como não estou preocupado com o fim do mundo e nunca fiz uma lista de resoluções para o ano novo, pretendo apenas continuar vivendo da melhor maneira possível, apreciando as amizades e os filhotes, administrando um dia após o outro e gostando do que vejo no espelho toda manhã. E, claro, comendo muito bem e tomando excelentes cafés.

A eterna beleza do efêmero

Por isso, o Reveillon é apenas mais um dia para comer guloseimas maravilhosas. O Café & Conversa não pode lhe dar uma vida nova, mas pode lhe desejar um excelente 2011, cheio de grandes realizações em todas as áreas importantes da sua vida. Também trouxemos uma receita para ajudar você a esquecer aquela promessa de emagrecer ...

E como começamos esse post lembrando Cassiano, fechamos com a sua criação imortal. Certamente, algum ato falho, como faria questão de apontar uma ex-namorada psicóloga de quem fiz questão de me livrar bem rápido. Mas, nunca se esqueça de manter o bom humor. Não se leve tão a sério, brinque mais, ria de si mesmo e viva bem : )

Torta de Chocolate e Chá Earl Grey
8 porções

Ingredientes para a Massa

- 5 colheres sopa de manteiga sem sal e em temperatura ambiente
- 1/4 xícara de açúcar de confeiteiro
- 2 colheres sopa de farinha de amêndoa
- 1 gema de ovo grande, em temperatura ambiente
- 1 pitada de sal
- 1 xícara de farinha de trigo

Ingredientes para o Recheio

- 1 1/2 xícaras de creme de leite fresco
- 1/4 xícara de folhas de chá Earl Grey
- 340 g de chocolate meio-amargo bem picado
- 3 colheres sopa de mel
- 3 colheres sopa de manteiga sem sal
- Chocolate em pó, raspas de chocolate, creme chantilly ou outros ingredientes para decoração e acompanhamento

Preparo da Massa

Bata a manteiga junto com o açúcar de confeiteiro, a farinha de amêndoa e a gema de ovo em velocidade MÉDIA até que todos os ingredientes estejam bem misturados. Adicione a farinha de trigo e coloque a batedeira em velocidade BAIXA até que a mistura esteja homogênea.

Abra a massa até uma espessura fina, embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por 1 hora. A massa pode ser armazenada na geladeira por até 1 semana e congelada por até 1 mês.

Bata levemente na massa para amaciá-la. Desembrulhe e coloque a massa sobre uma superfície polvilhada com farinha de trigo. Polvilhe também a superfície da massa. Com um rolo, abra um círculo com diâmetro de 30 cm e espessura de 3 mm. Enrole a massa no rolo e desenrole sobre uma forma de 23,4 cm de diâmetro. Cubra todo o fundo, as laterais da forma e corte as sobras de massa.

Com um garfo, fure uma 20 vezes a massa no fundo da forma. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos no mínimo e 1 hora no máximo.

Pré-aqueça o forno a 180º. Remova o filme plástico e asse a massa até que fique levemente dourada, cerca de 15 minutos. Retire do forno e deixe esfriar completamente.

Preparo do Recheio

Numa panela média e em fogo MÉDIO, aqueça o creme de leite sem levantar fervura. Retire a panela do fogo e acrescente as folhas de chá Earl Grey. Deixe ficar por 8 minutos. Coe o creme de leite numa peneira bem fina. Aperte as folhas com uma espátula de silicone para extrair o máximo de creme. Retorne o creme ao fogo MÉDIO e reaqueça.

Coloque o chocolate picado numa tigela média. Adicione o creme aquecido e deixe descansar por 3 minutos. Misture bem até que fique homogêneo. Adicione o mel e a manteiga e misture bem. Derrame a mistura sobre a massa. Leve à geladeira por 1 hora. Sirva a torta gelada, decorada com chocolate em pó, raspas de chocolate, creme chantilly e/ou flores comestíveis.


Como diria João Pequeno: "vida nova é o cara..."
Eu quero continuar vivendo desse jeito mesmo



A Lua e Eu
Cassiano e Paulinho Motoka

Mais um ano se passou

E nem sequer ouvi falar seu nome
A lua e eu


Caminhando pela estrada

Eu olho em volta e só vejo pegadas

Mas não são as suas eu sei,

Eu sei, eu sei


O vento faz
Eu lembrar você

As folhas caem
Mortas como eu


Quando olho no espelho

Estou ficando velho e acabado

Procuro encontrar

Não sei onde está você

Você você....


O vento faz
Eu lembrar você

As folhas caem
Mortas como eu...

A lua e eu



domingo, 26 de dezembro de 2010

A Rede Social ... e os psicopatas


Ricardo Icassatti Hermano

Finalmente fui assistir o filme A Rede Social, que conta a história de como foi criado o maior site de relacionamento social do planeta, o Facebook. Um dos seus criadores e dono da maior fatia da empresa, Mark Zuckerberg, acaba de ser eleito pela revista Time a Personalidade do Ano de 2010 e é o personagem central do filme.

Psicopata bilionário aos 25 anos

Quem o interpreta magistralmente é o jovem ator Jesse Eisenberg, o mesmo que me fez chorar de rir em Zombieland. O papel de nerd genial já lhe cairia como uma luva, mas o personagem não se limita a isso. Mark Zuckerberg é um gênio, ambicioso, paranóico, focadíssimo, estrategista e psicopata que não se detém diante de nada para alcançar seu objetivo: ter uma vida melhor.

Esse ator, Jesse Eisenberg, vai longe

Vocês podem até achar que o objetivo dele é fácil. Depende do que se entende ser uma vida melhor. No caso dele, foi obter fama mundial e se tornar um bilionário. Ninguém que não tenha pelo menos um grau elevado de psicopatia conseguiria atingir esse objetivo aos 25 anos de idade como ele fez com a criação do Facebook.

É claro que Zuckerberg não fez tudo sozinho e é aí que reside a sua genialidade e a sua psicopatia. Roubando uma ideia aqui e outra acolá, traindo amigos e se unindo a gente absolutamente escrota como o criador do falecido Napster, o tresloucado Sean Parker, interpretado pelo sempre canastrão cantor pop Justin Timberlake, ele foi desenvolvendo conceitos e transformando-os no Facebook.

Alguém precisa explicar para o Justin Timberlake que ele jamais será um ator

A primeira cena do filme é Zuckerberg tentando manter uma conversa com sua namorada, Erica Albright, interpretada pela lindíssima Rooney Mara. O cara é hiper ativo e pensa em várias frequências ao mesmo tempo. A garota se sente humilhada com a agudez das observações do namorado e o manda à merda. Não sem antes recomendar que ele se medique com remédios tarja preta.

Quem perde uma gata dessa é ruim da cabeça ou doente do pé ...

Se eu contar mais, estragaria o prazer de vocês assistirem o filme. É recomendável algum conhecimento de internet e linguajar de programação, apenas para aproveitar mais os diálogos. Mas, não é imprescindível. A trama se segura por si só.

Há ainda a participação de um brasileiro na criação do Facebook, um tal de Eduardo Saverin, interpretado por Andrew Garfield. Esse brasileiro financiou o início do site e no final levou uma pernada psicopática do Zuckerberg.

Eduardo fez o papel de brasileiro, ou seja, otário

O que acaba sendo muito pedagógico para nós, os brasileiros em geral. O comportamento pouco profissional, sentimentalóide e quase retardado, levou Eduardo - ou Wardo, como o apelidaram - a confiar inocentemente no laço de amizade e a assinar os papéis da própria derrocada.

O capitalismo americano não tem nada de bonito. Os grandes feitos comemorados e laureados, como o prêmio da revista Time, têm atrás de si um incontável número de vítimas incautas. Para os donos do capitalismo americano, o que interessa é o lucro. Aplaudem e idolatram até psicopatas. Zuckerberg tirou lucro de algo que parecia um beco sem saída. Por isso, está sendo festejado.

Poderá chegar o dia em que o imponderável lhe reserve uma surpresa, um tropeção. Nesse dia, despencará da torre de marfim digital que construiu para se mostrar ao mundo e aí então conhecerá a outra face dessa moeda chamada capitalismo.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Café espresso, espuma de mangada, cajuzinho do Cerrado - prove!


Romoaldo de Souza


Quando você chega numa cafeteria querendo tomar um saboroso espresso, o que você observa primeiro? Assim, desse jeito, esta foi a primeira pergunta que fiz ao barrista Daniel Viana, campeão da edição 2010, do Campeonato Brasileiro de Baristas no Distrito Federal.


- Eu observo a limpeza. A limpeza de uma cafeteria é um dos pontos principais para que eu me sinta bem ambientado. Claro que além do asseio eu procuro saber se a cafeteria tem um barista para atender ou se é somente uma pessoa treinada - disse Viana, depois de ter preparado um Cristina curto, servido com água com gás, ao som de Nina Simone. Eu engulo seco, quando chego numa cafeteira requintada, e está rolando "Hotel California" ou o roquezinho invertebrado dos Paralamas do Sucesso.


- Eu acho que café, cafeteria, esse ambiente, combinam bem com um jazz, preferencialmente, instrumental. Especialmente se você vai para conversar - lembra Daniel, que disputou o campeonato ao som de um jazz calmo, bem apropriado para o momento.


Muita gente me pergunta o que, precisamente, vai a julgamento na apresentação de um barista? São três quesitos importantes. O café espresso, o cappuccino e a bebida de criação, com a assinatura do barista. Isso no julgamento dos juízes sensoriais.


O espresso, primeiro item a ser julgado, deve ter uma crema consistente e persistente. Para saber se a crema do seu café, aquele café que você costuma pagar até R$ 5, tem essas exigências - consistência e persistência - vire, suavemente a xícara para o seu lado e depois volte para a posição inicial. A crema tem de permanecer intacta, sem ser substituída pelo marrom do café. Deve continuar com um aspecto tigrado. Rajado. Não aceite se o seu café não tem essas consistência de que estou falando.


O sabor do café tem de ser harmonioso. Tem de haver o balanço da doçura, a acidez e o amargo. Balanceado. Entendeu agora porque café não combina com açúcar e muito menos com adoçante? O doce desses ingredientes anula um dos pontos de equilíbrio do café.


Rejeite, devolva se o seu café não estiver assim. Além do sabor e da consistência da crema, é importante a apresentação. A xícara não pode vir mais quente que o café nem entornando o café por todos os lados.


Bom, andando. O cappuccino. Vamos falar primeiro da xícara do cappuccino. O ideal são aquelas xícaras de 150ml a 180ml, com asa.


Quanto ao sabor do cappuccino o que é observado e exigido num campeonato de baristas é a consistência e a persistência da espuma. O sabor deve ser balanceado entre o leite, o doce e o espresso. Portanto, fuja de invencionices como chantilly que cobrem sua xícara e sufocam o cappuccino.


E, por fim, o drinque especialmente preparado pelo barrista Daniel Viana que vamos descrever como se faz. Foi com esse drinque que ele encantou os juízes.


Daniel Viana colocou numa taça, um espresso curto, feito com o grão "bourbon vermelho" que está sendo produzido na fazenda Baú, no Sul de Minas Gerais. O café apresenta notas de frutas vermelhas com uma ligeira conotação de azeite de oliva.


O barrista chegou para os juízes dizendo que o drinque que havia preparado era feito de café, calda de cajuzinho do Cerrado e espuma de mangada. Ele disse que essa combinação não levava limão, mas garantiu que os juízes sentiriam o sabor do limão ciciliano. Garantiu e cumpriu.


Daniel Viana, o barista campeão, não sabia se sorria mais pelo troféu
que ganhou dos organizadores do campeonato ou se pela caneca do Café & Conversa

- É uma questão muito interessante, porque quando se juntam diferentes ingredientes, o resultado nem sempre é o esperado. Quando fiz essa mistura eu queria acentuar a acidez do bourbon vermelho. Como a acidez da mangada é um tanto quanto diferente, juntei esses dois ingredientes e ressaltei o sabor do limão que, juntando-se ao café, foi o drinque que infelizmente você não pôde provar - provoca o barista.


O detalhe é que como na minha Landrover tem a logomarca da fornecedora do grão e eu a trato como patrocinadora, me declarei eticamente impedido de julgar Daniel Viana. Mas ele fica me devendo, um dia desses, um drinque assim especial ao som de ...


Etta James, At Last.


At last, my love has come along

My lonely days are over
And life is like a song
Oh, yeah, at last
The skies above are blue
My heart was wrapped up in clovers
The night I looked at you
I found a dream that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to rest my cheek to
A thrill that I have never known
Oh, yeah when you smile, you smile
Oh, and then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine
At last



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mamãe Noel


Ricardo Icassatti Hermano

Aqui na Redação do Café & Conversa reina uma descrença total no espírito natalino baseado na figura do Papai Noel. Não é nem porque o bom velhinho gordo seja uma invenção de uma poderosa marca de refrigerante. Tampouco o motivo é queRomoaldo e eu exalemos uma certa dose de rabugice e impaciência com sentimentalismo barato de publicidade ou de novelas.

É apenas porque o Natal não deveria ser nada do que vemos por aí. Esse sentimento de culpa transmutado em compaixão materializada através do consumismo desenfreado. Natal é justamente o contrário. É uma época de meditação sobre os valores ensinados pelo sujeito cujo aniversário de nascimento (não de morte) deveríamos estar celebrando.

Dito isso, não nos alinhamos entre os fãs do velhinho vestido de vermelho como um Petralha qualquer. Mas, estamos muito propensos a acreditar em Mamãe Noel. E são várias. Começando pela amiga, mãe da Bebel, jornalista e globetrotter Clara Favilla. Após um longo giro por Holanda e Itália, ela nos surpreendeu e presenteou com toneladas de café de vários países.

Sente só a farra que vem por aí

A Redação está em festa. Café pra todo mundo. Vamos nos esbaldar, nos acabar com tanta cafeína. Dividimos irmamente o presente, meio a meio, e vamos dar início a um período inesquecível na vida de muita gente. São cafés vindos de Papua Nova Guiné, Kenia, Índia e Peru. Não sabemos nem por onde começar.

Outra que deu uma de Mamãe Noel foi a jornalista Raíssa Abreu. Após breve estada em sua cidade natal (não é trocadilho), a bucólica e progressista cidade de Pedralva, no Sul das Minas Gerais, a galeguinha do zóio azul nos trouxe uma braçada de café da marca Belo Ramo. Ainda estão com problemas na torra, mas experimentamos um deles que tinha forte sabor de caju. Agradou muito.

Raíssa nos prometeu um texto e continuamos aguardando ...

Mas, o Natal tem desses milagres. Ainda não cremos no barrigudo e barbudo (aquele outro cachaceiro também), mas eis que surge a figura do Ajudante do Papai Noel. Há quem diga que, na verdade, é uma das renas que puxam o trenó, mas são fofocas de gente linguaruda.

Nosso querido amigo e colega fotojornalista Geraldo Magela também nos presenteou com um tesouro vindo lá da fazenda do sogrão, o cafeicultor José Brissio Pereira. Ele e Luzia Campos Nesce são responsáveis por 56 alqueires da boa terra do Sul das Minas Gerais, lá no próspero município de Manhuaçu.

São 225 mil pés de café produzindo um excelente grão Arábica Bourbon Vermelho, que é todo comprado por ninguém menos que a torrefadora italiana Illy. O café em grãos que Magela nos presenteou foi torrado na própria fazenda num torrador de origem desconhecida para nós. Mas conseguimos fotos do bicho.

Se alguém souber a origem desse torrador, por favor nos avise

O café tem aroma suave. O sabor é bem frutado e ácido, corpo médio e um pouco de chocolate no retro-gosto. Acreditamos que uma torra profissional poderia revelar mais qualidades desse delicioso café, que foi (infelizmente já acabou) um sucesso nas nossas manhãs.

E assim, mesmo sem botar fé no Natal de shopping, o espírito natalino sobrevive na generosidade e no amor dos amigos e amigas que este blog tem a honra e o orgulho de colecionar. Feliz Natal : )