terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Rodoviárias e Aeroportos


Houve um tempo em que viajar de avião significava participar de um evento especial. As pessoas tomavam banho e se vestiam bem para viajar. A família acompanhava o(s) passageiro(s) até o aeroporto e aproveitava para assistir uns pousos e decolagens daquelas máquinas maravilhosas e cheias de glamour, que raramente atrasavam algum vôo.

As aeromoças eram lindas, bem vestidas, impecáveis e os pilotos tinham pinta de heróis saídos de algum filme da Segunda Guerra Mundial. Os aviões eram espaçosos e confortáveis. As companhias aéreas se orgulhavam disso e serviam refeições com talheres de metal e uma grande variedade de bebidas, até alcoólicas.

Viajar de avião era quase uma aventura, quase uma festa. Bons tempos aqueles.

Com o barateamento das passagens a coisa mudou radicalmente de figura. A maioria das aeromoças não reúne as condições mínimas para povoar a fantasia de mais ninguém. Há até quem as chame de "aerovéias". Os pilotos têm cara de motorista de ônibus interestadual. As barrigas despencadas e os uniformes desbotados não escondem o desgaste do tempo. Só falta a brilhantina no cabelo, o dente de ouro na frente e a unha comprida no dedo mínimo para completar o figurino.

Os passageiros não mais se vestem bem para viajar. Pior, não se vestem. O que se mais vê é aquele consagrado figurino suburbano de camiseta sem mangas, bermuda e chinelos Rider. Trazem consigo e deixam nos aeroportos os subprodutos da sua educação exemplar. Os aeroportos ficaram imundos, com banheiros insuportáveis e uma profusão caótica de lojas que vendem um sem fim de "inutilezas".

Alguém deve achar essa "democratização" algo bonito e digno de aplauso. Obviamente, não me incluo nesse grupo. Mas, neste seleto grupo devem estar incluídos - além dos demagogos de plantão - os donos das companhias aéreas, que estão enchendo as burras de dinheiro. Os demagogos ganharam um discurso para falar de "povo". Os donos e os demagogos viajam de jatinho (público e privado) ou na Primeira Classe. E o que os demagogos e os donos dos aviões nos oferecem em troca? Nada. Pior, retiram o pouco que restou ao consumidor viajante.

Hoje, temos passagens baratas. Em compensação, temos cadeiras mais estreitas e menos espaço para as pernas, apesar das promessas vãs do ministro Nelson Jobim; temos atraso dos vôos como padrão de normalidade, apesar das promessas vãs do ministro Nelson Jobim; as refeições são aquela bosta fedorenta que servem e eu faço questão de recusar; os aviões estão sempre lotados; os aeroportos estrangulados, sujos e mal cuidados; os acidentes aéreos aumentaram ao nível de crime. Parece não haver espaço para piorar.

Parecia. Hoje fui ao aeroporto internacional de Brasília. Na área de desembarque, havia um grupo de forró a todo vapor e meia dúzia de casais rodopiando entre os passageiros que aguardavam condução. Ao me dirigir até o balcão do estacionamento para pagar, passaram correndo por mim duas gordas suadas e esquisitas mais um rapaz bem qualira. Uma delas fazia com a mão o gesto do "chifre", que era usado pelos antigos fãs de Heavy Metal, e gritava a plenos pulmões: "Caralho!!! É forróóóó!!!!".

É ... parafraseando John Lennon, o sonho acabou e os aeroportos viraram rodoviárias mesmo. Pior, filiais do Inferno.

Ricardo Icassatti Hermano
Diretamente do retiro espiritual de carnaval

3 comentários:

Anônimo disse...

Tá de TPM? Cara chato!! Compra um jatinho pra vc, purgante!

Café & Conversa disse...

Caro Anônimo,

Graças a Deus não vivemos mais em uma ditadura militar, que aliás caiu de podre. Felizmente, não estamos presos e amordaçados em uma ditadura iraniana, chavista, cubana ou petista. Temos uma Constituição que nos permite a liberdade de pensamento e de expressão, desde que acompanhada de nome e sobrenome. É por isso que este blog tem meu nome, meu sobrenome e minhas credenciais. Quem recorre ao anonimato num país livre e democrático, certamente não está querendo fazer graça ou manifestar uma opinião decente. No seu caso, é possível sentir o ranço da tática muito utilizada pelas "zisquerda" para tentar desqualificar a opinião alheia. O próximo passo seria a calúnia, a injúria e a difamação. O PT passou 20 anos nos mostrando exatamente isso e a farsa decorrente de tal prática. Chegando ao poder e pêgo em flagrante no Mensalão, seu líder máximo, o Lula Marolinha, só conseguiu dizer que fazia o que os outros fazem. Depois disse que não sabia o que faziam na sala vizinha ao seu gabinete e por aí foi. Portanto, meu caro, venho de uma cepa que defende os princípios da liberdade e luta por eles com a cara à mostra e não com a derrière. Do fundo do meu coração, desejo-lhe coragem. Abraço e continue acompanhando o Café & Conversa, aqui e no Twitter.

Ricardo Icassatti Hermano

Ana disse...

Icassatti, tirando a história do forró, concordo em gênero,número e grau com seu ponto de vista.Seria interessante, sim,se houvesse o direito digno de todos voarem Brasil ou mundo afora. Abraço.