sexta-feira, 8 de julho de 2011

Morte na Esplanada - Capítulo 11


Ricardo Icassatti Hermano

Depois de uns dias no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha, voltamos a ação. Lígia e Alexandre passaram por duras provas em suas vidas, mas reencontraram motivos para amar. Até porque ambos conhecem a dor, o prazer e querem conhecer o amor. Não aquele amor idealizado, mas o de verdade. Esse é difícil. Se você tem, segure com as duas mãos. Se não tem, não perca a esperança : )

O cenário é perfeito. Conheço bem o arquipélago e posso dizer que é um dos poucos lugares do mundo feitos para iniciar um romance. Tudo é tremendamente bonito e inspirador. Me lembra quando visitei a ala dos impressionistas no Museu do Louvre e percebi claramente nas telas de Paul Gauguin o que ele viu e o fez ficar para sempre no Tahiti.

Com os recentes acontecimentos na política, muita gente está se perguntando se a Blog-Novela imita a vida ou se a vida imita a Blog-Novela. Não é incrível? Quando eu começo a achar que a imaginação é uma loucura sem limites, a realidade vem e me surpreende.

Mas, agora é hora de preparar a sua caneca cheia de algo quente, cheiroso e gostoso. Afinal, ainda estamos no Inverno e o frio está pegando. Vista o seu pijama de flanela ou seda vermelha e calce as meias para não matar alguém de susto com os pés gelados. Enfie-se debaixo do edredon, ligue o som do computador e nem pisque ao ler as aventuras mirabolantes de "Morte na Esplanada", a sua Blog- Novela imperdível. Divirta-se!




Morte na Esplanada

Capítulo 11

O delegado Alexandre Dantas reuniu sua equipe na cafeteria Grenat Cafés Especiais. Havia novidade e ele precisaria ainda fazer um relatório para o diretor Miguel Brochado, que estava cobrando. Gabriel foi o primeiro a falar.

- Meu pessoal conseguiu entrar nos computadores do serviço secreto francês.

- Como vocês conseguiram isso? Não vai dar nenhuma complicação não, né?

- Pode ficar tranquilo. A gente entra e sai de um jeito que apaga todos os rastros. Ninguém nem percebeu.

- Mas, o serviço secreto? Esses caras devem ter tudo blindado, protegido.

- Tem nada. Isso é o que todo mundo acha. Lembra dos computadores da Abin? Os caras guardavam pornografia neles. Se você soubesse como os governos são desleixados com a segurança ... acho que é coisa de serviço público mesmo. Os caras bons de verdade estão trabalhando em empresas de ponta e ganhando bem.

- Peraí ... mas, você é funcionário público e também consegue invadir computador do serviço secreto francês.

- Mas, eu vivo no Brasil, né? Eu só aproveito as oportunidades. A Polícia paga meus estudos. Senão eu não teria condição, como têm os estudantes americanos e judeus. Eles têm contato com tecnologia de ponta desde criança e acesso à informação na própria escola. É outro mundo.

- E o que vocês conseguiram?

- Pegamos a ficha completa do Gaston Perrin. Você sabe que todo agente do serviço secreto tem que ser completamente identificável. Assim, o arquivo dele tem uma ficha médica completa para que possa ser identificado de todas as maneiras possíveis. Tem tudo sobre o sangue dele, por exemplo, arcada dentária, cicatrizes, tatuagens, sinais, impressões digitais, biotipia e o DNA.

- É disso que precisamos para comparar com o nosso exame.

- Já fiz isso - disse o Dr. Hamilton.

- E aí?

- Bateu 100%. O corpo que foi resgatado é dele mesmo.

- Então, a nossa investigação empacou?

- Ainda não - adiantou-se Gabriel.

- Desembucha ...

- O Gaston não estava mais no serviço secreto.

- Não?

- Não. Ele saiu de lá há três anos e foi trabalhar numa grande empresa de segurança particular chamada Vukan, que trabalha com espionagem industrial e segurança pessoal de empresários, banqueiros e autoridades governamentais.

- Tipo a Blackwater americana?

- Não, a Blackwater trabalha com mercenários no Iraque e no Afeganistão. Essa empresa até emprega mercenários, mas não trabalha com guerra. O negócio da Vukan é mais civil e contrata pessoal de vários serviços secretos. Tem gente do Mossad, do MI-6, da CIA e por aí vai.

- Isso quer dizer que alguém contratou a empresa para matar a ministra? E por que essa Vukan se envolveria no assassinato de uma autoridade estrangeira? O cliente que pagou pelo serviço deve estar muito bem escondido.

- Vocês conseguem hackear essa empresa?

- Impossível. Aí vamos entrar naquele nível que te falei. Ali, o pessoal realmente toma conta da segurança dos computadores. Impenetrável.

- Bom , mas com essas informações já podemos continuar a investigação. Gabriel, é melhor não enviar o nosso exame de DNA e a ficha médica do Gaston para a Lígia. Ela pode correr perigo tendo esse material. Essa gente é extremamente perigosa. Vamos ver se conseguimos mais alguma coisa sobre essa empresa Vukan. Vamos conhecer melhor o nosso inimigo.

- Também consegui encontrar a câmera oculta no gabinete da ministra.

- Conseguiu recuperar alguma coisa?

- Como a gente suspeitava, tinha a gravação do Gaston entrando no gabinete e servindo o café envenenado.

- Passa aí pra gente ver.

Gabriel abriu seu laptop e acionou o vídeo. Nele era possível ver a ministra ao telefone. Gaston disfarçado de dona Carmelita entra na sala e coloca a xícara de café sobre a mesa. Falando alto, Sueli Sandoval sequer olha para Carmelita, que sai em seguida. A ministra pega a xícara e para a meio caminho da boca. Fala mais um pouco. Traz a xícara até os lábios, afasta novamente e dá uma risada. Fala uns palavrões, concorda com alguma coisa. Desliga o telefone e toma o café. Cinco segundos depois ela engasga, leva as mãos à garganta. O corpo chacoalha, se retesa na cadeira. Sua cabeça tomba para trás. Seus olhos se esbugalham. O corpo treme e aos poucos vai se aquietando. O último suspiro sai da sua boca com um ruído apavorante. Ela tem espuma nos cantos da boca.

Dez minutos depois, entra a verdadeira dona Carmelita. Distraída, coloca a xícara sobre a mesa e estranha a presença de outra xícara ali. Ela finalmente olha para a ministra. Fica estática. Olha para os lados. Esfrega as mãos no vestido. Olha para os lados. Seu rosto aparenta medo e confusão mental. Ela sai devagar, andando de ré, e desaparece da cena. Em seguida, o grito horripilante que gelou o sangue de toda a equipe e de alguns fregueses nas mesas próximas.

- Rapaz, que grito escroto esse ... (risos nervosos de todos). Tem mais alguma coisa?

- Tem vários dias gravados, reuniões e até sexo ...

- Sexo?

- É, a ministra pegando uma outra mulher.

- É uma das assessoras? Cadê? Mostra aí - se apressou Rômulo.

- Não, essa é uma nova. Não tinha visto ainda.

- Nem naquelas festas e orgias?

- Ainda não assisti tudo, mas está parecendo uma jornalista que foi fazer uma entrevista ...

- Então deixa o vídeo comigo que vou dar uma olhada com mais calma nisso em casa.

- Aaaaaaah ... (todos ao mesmo tempo)

- O que é isso, moçada? Faz parte da investigação ... (risos) Agora, tenho que fazer meu relatório para o Brochado. Vamos nos concentrar na Vukan. Estou pressentindo mais perigo pela frente.

Após mais um relatório sobre os últimos acontecimentos - exceto a parte dos hackers e o vídeo do gabinete -, Alexandre foi para casa assistir o tal vídeo. Pegou uma garrafa de cerveja na geladeira e espetou o pen drive na televisão de LCD. Sentou-se no velho sofá e assistiu a ministra Sueli Sandoval iniciar uma entrevista com a jornalista Mércia Trancoso. As duas sorridentes sentadas em cadeiras, frente a frente, falando sobre preconceito contra a mulher, violência contra a mulher, tudo contra a mulher.

- Coitadas dessas mulheres. Parece que não fazem outra coisa na vida que não seja apanhar, serem subjugadas, preteridas, enganadas, mal tratadas, espoliadas e escravizadas. Que mundo cruel. Olha só essas duas aí como são discriminadas -resmungou entre um gole e outro de cerveja.

A jornalista não era linda, mas também não era feia. Morena de cabelos curtos, tinha um belo corpo e atitude. A boca se destacava no rosto angulado, lábios carnudos. Os olhos negros pequenos e sempre semi cerrados lhe davam uma languidez felina. Mas, não de uma gata de raça bem cuidada e sim de uma gata vira-lata com boa pelagem. Trajava uma blusa de seda cor de rosa clara, botões de madrepérola, mangas compridas dobradas, e calça jeans. Claramente não usava soutien, pois os bicos dos pequenos seios apontavam quase para o teto. A ministra não conseguia tirar os olhos deles.

Alexandre anotou mentalmente que precisaria se informar mais sobre a jornalista.

Em determinado momento, a entrevista acabou. Mas, a conversa entre as duas continuou. Aos poucos, Mércia percebeu o interesse de Sueli e se aproveitou da situação. Colocando-se em determinadas posições, deixava aparecer aqui e ali um pouco daquilo que tanto chamava a atenção da ministra. Segundos depois, Sueli pulou sobre a repórter, que se afastou rapidamente e fingiu estar assustada. A ministra investiu novamente. Outra vez Mércia se afastou o suficiente para que Sueli continuasse avançando.

Em seguida, Sueli corria pelo gabinete atrás de Mércia, que se atirou sobre o o sofá. A ministra se atirou sobre a repórter. Botões de madrepérola voaram pela sala. O que aconteceu depois todo mundo já sabe. Parecia música de Roberto Carlos: roupas pelo chão, amantes se encontram, aquelas coisas da sacanagem "romântica". Consumado o ato, a ministra convidou a repórter para passarem juntas o final de semana. Ela ainda se fez de difícil, mas o convite foi aceito. Alexandre foi dormir nervoso com tanta criatividade.

No dia seguinte, o delegado estava em seu escritório quando Pablo veio lhe avisar que a imprensa estava ali à sua procura. Alexandre pediu a ele que mandasse entrar.

- Bom dia delegado Alexandre. Meu nome é Mércia Trancoso, do jornal Notícias do Brasil - apresentou-se a repórter com olhar lânguido e estendendo a mão. Ela vestia a mesma blusa de seda cor de rosa clara.

♦♦♦

Éééééé ... a coisa esquentou para o lado do delegado. Qual será o papel dessa nova personagem na trama? Alexandre resistirá aos encantos de Mércia? E ela? Vai usar seu poder de sedução no delegado? E o resto da equipe com os ouvidos colados na porta? Ou vocês acham que o Gabriel não fez cópias do vídeo para todo mundo? E vocês? O que acham? Vai dar praia?

A leitora Telma Monteiro me alertou para a falta de uma descrição física do delegado Alexandre. Foi uma falha minha. Mas, sempre é tempo de corrigir. E vocês poderão me ajudar nisso também. Coloquem no espaço aí embaixo para comentários como vocês vêem o delegado, quais suas principais características físicas, tipo de roupa que veste etc. Botem a imaginação para funcionar!

E como recomenda o Romoaldo todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, em nosso quadro na CBN Recife e, em seguida, aqui no nosso podcast: Um abraço e bom café!

4 comentários:

AkiNaRoçaÉAssim disse...

Eitha que parece que vai esquentar o inverno agora!
Gostei da entrada dessa jornalista safadEnha. Te ecuida Alexandre!

A aparência do nosso nobre Alexandre está aqui ==> http://lelima.com/enter/?tag=biotipos-masculinos

Ele seria o biotipo #4 - magro, mas com uma barriguinha saliente de tanto comer as gostosuras da Grenat. Estatura já se sabe que é de 1,70m e lá vai. Poderia ter uns 40 e uns anos. Usa jeans, camiseta pólo e blazer. Bem informal, mas é elgante.

Mas como eu não acerto nenhuma, nem sei o porquê de estar aqui devagando.

Vou esperar.

Marven

Anônimo disse...

De novo, o rítmo perfeito. Ação e suspense, mas sem tirar o fôlego que, obviamente, vira no próximo capítulo.
O delegado Alexandre, espero, não é assim um Gianecchini na vida. O corpo é rijo sem ser um Schwarzenegger. Vamos dizer, torneado. Menos de 1.85 de altura. Cabelos grafitte, olhos castanhos escuros que podem ficar esverdeados caso esteja muito trste, ou irado. Não deve ter traços perfeitos no rosto. It´s bored. E deve saber se mover de forma beirando a displicência. Ah, ombros muito largos também não. Homem-geladeira anos 50 já era.
No mais, ela, Lígia, a bela, não deve ser assim estilo dessas policiais-ninja. Boa de tiro, noções suficientes de luta. Ela é da Inteligência e não precisa ser Lara Croft.
Quanto à jornalista, ela vai se despejar sobre Alexandre e o máximo que ele deve fazer é comentar sobre elegantes policiais que usam vestidos floridos, dar um jeito de dizer que cor-de-rosa é uma cor ingrata e lançar apenas um olhar de mamografia para os peitos da jornalista. Estar sem sutiã não é para exibir peito pontudo e sim para não se sentir amarrada por essa peça que deve ter sido criada por uma freira da Idade Média.
Queremos mais.
A próxima ação provavelmente acontecerá num casbah em Marrakesh. É quando Lígia e Alexandre se encontram por acaso, no saguão do Hotel El-Mamounia.
Quero muita novela.
Memélia Anônima

Telma D. Monteiro disse...

Concordo com o comentário da Memélia Anônima quanto ao físico do Gianecchini,digo Alexandre (perdão,ato falho).
Eu acrescentaria uma barba com um tom acobreado.
A trama continua fascinante!

TM

Nora disse...

Não sei se pela intimidade com o idioma frances, percebo Alexandre semelhante a Jean Paul Belmondo,quando jovem (anos 60-70).

Charmoso demais.

Abraços.