domingo, 20 de dezembro de 2009

Ritos de Passagem


Ontem, meu filho mais velho, o Pablo, se casou com Aline. Como bom descendente de italianos chorei como um bebê. O Sílvio, pai da noiva, me ajudou bastante nisso chorando junto. Chorei pela perda de um companheirão - ele morava comigo - e por ganhar uma filha maravilhosa. Chorei pelo fim de um ciclo e pelo início de outro. É a vida.

Pablo e Aline são dois seres doces que se amam. Os dois têm sorrisos serenos que iluminam tudo à sua volta. São seres generosos, sensíveis, criativos, amorosos, ternos, carinhosos, agregadores. Formarão uma linda família e terão uma vida que refletirá todas essas qualidades e a felicidade que sentem por terem se encontrado.

Pablo & Aline & Pablo & Aline & Pablo

Sempre queremos proteger nossos filhos das agruras do mundo. Uma tarefa impossível. O amadurecimento deles é inescapável. Por isso temos os ritos de passagem, como o casamento, para nos ajudar na transição de um patamar de vida para o seguinte.

Os filhos seguirão seus sonhos e seu destino. Enfrentarão basicamente os mesmos problemas que nós, se debaterão com as mesmas dúvidas, as mesmas esperanças. É claro que serão circunstâncias diferentes e torcemos para que tenham soluções melhores e mais criativas. E que, no final, se saíam bem.

Obviamente terão suas alegrias e cota de felicidade também. O que os pais podem fazer é prepará-los da melhor maneira possível, dar-lhes o suporte necessário, investir nos seus sonhos, na sua fé e tentar não atrapalhar muito essa caminhada.

Nos últimos dias, quando todos se preparavam para o casamento, levei meus outros dois filhos, Alexandre e Gabriel, para comprar ternos. Com eles, experimentei outro rito de passagem, dessa vez no que diz respeito ao nosso relacionamento pai-filho e à masculinidade. Alexandre tem 27 anos e Gabriel 20. Ambos entrando no mundo adulto, mas em patamares diferentes.

Gosto muito de observar meus filhos, como se comportam diante das várias situações. Enquanto para Alexandre o terno não era uma novidade, Gabriel nem havia pensado em vestir um. Enquanto Alexandre escolhia modelo, cor, ajustes etc., eu fazia as escolhas para o Gabriel e ensinava tudo a respeito.

Passados alguns minutos, Gabriel ficou mais confiante diante daquele mistério do mundo masculino e passou a fazer perguntas. Eu ia explicando o porque disso e daquilo, o tamanho das mangas, do colarinho, o tecido, o caimento, o tipo de cueca, os sapatos, as meias, o cinto, a gravata. E outras coisas, como os símbolos que nos definem e dos quais jamais devemos abrir mão em nome do que quer que seja.

O alfaiate da loja nos perguntou como queríamos a bainha das calças. Eu especifiquei que seriam barras italianas. O alfaiate tentou nos explicar que aquele modelo de barra não estava mais "na moda".

Meus filhos me olharam e eu lhes disse que somos descendentes de italianos, espanhóis, negros e índios. Tudo o que representa essa herança deve ser reafirmado. Não fazemos isso para seguir uma moda efêmera. Isso é o que somos e o que os nossos descendentes serão. Eles sorriram e disseram ao mesmo tempo para o alfaiate: "barra italiana".

Me enchi de orgulho paterno ao observá-los se olhando no espelho vestidos com seus ternos. Os rapazes vislumbravam no espelho os homens que irão se tornar muito em breve. Mais um rito, mais um patamar. Outros virão. Espero estar por aqui para acompanhar e ajudar no que for possível. Não porque seja uma obrigação de pai, mas apenas porque amo de paixão os meus filhotes.

Um bom domingo para todos.

Ricardo Icassatti Hermano

4 comentários:

elina disse...

chorei, ricardo.
o casamento deve ter sido lindo.
parabéns, viu?
bjs

Café & Conversa disse...

Chore não minha Linda, porque eu ainda não chorei tudo o que tenho para chorar. E se ainda te ver chorando ... já viu né?

Gabriel disse...

Ó rái!!

Munky disse...

Double rái!!!!