quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Os Homens que não Amavam as Mulheres

Ricardo Icassatti Hermano

Escrever roteiros para cinema é uma arte refinada. Assim como também é o ofício de dirigir um filme. Mas, se o roteiro é ruim, não há diretor que salve a obra final. No caso de roteiros baseados em livros, o roteirista tem que ser bom mesmo. Além de comprimir uma longa estória em cerca de duas horas, é preciso resolver situações e amarrá-las de modo que façam sentido e conduzam o espectador sem criar questionamentos que desviem a sua atenção.

Felizmente foi o caso do recém-lançado Os Homens que Não Amavam as Mulheres. O roteirista Steven Zaillian obteve sucesso na empreitada de levar para o cinema o primeiro livro da trilogia Millenium, do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004). Não pensem que por se basear numa excelente obra literária a tarefa de escrever o roteiro seja mais fácil. Ao contrário, a responsabilidade é muito maior porque os leitores/espectadores não perdoarão erros ou distorções.

Cartaz do filme

Li o livro e assisti a versão sueca e agora posso fazer algo que gosto muito, comparar os dois filmes. O filme sueco optou por focar a estória no papel do jornalista Mikael Blomkvist. Para mim foi um erro, pois fica claro desde o início que a grande protagonista é Lisbeth Salander, uma jovem hacker punk que trabalha como investigadora free lance e tem uma enorme tatuagem de dragão nas costas. Aliás, aqui novamente algum "gênio" achou que seria melhor meter lá "os homens que não amavam as mulheres", quando o título original é A Garota com Tatuagem de Dragão (The Girl with the Dragon Tattoo).

A garota punk é a grande personagem 

Um dado muito interessante é que, aos 15 anos de idade, o escritor Stieg Larsson testemunhou o estupro de uma moça, que não pôde ou não conseguiu impedir. Esse episódio o assombrou por toda a vida. O nome da moça era Lisbeth e a violência sexual contra mulheres é um tema recorrente em sua obra literária. Então imagine como ele reagiria quando visse esse estupro que fizeram com o título original da sua obra ...

O enredo é uma investigação sobre um suposto assassinato ocorrido 40 anos antes. Para fazer a investigação, o industrial magnata Henrik Vanger, interpretado pelo fabuloso Christopher Plummer, contrata o jornalista Mikael Blomkvist, que acabara de ser derrotado na justiça por um empresário mafioso. Na revista Millenium, o jornalista havia publicado uma reportagem denunciando falcatruas do tal empresário. Acontece que as "provas" apresentadas na reportagem eram falsas. O empresário armou para o jornalista, que caiu feito um patinho.

Christopher Plummer, dando show como sempre

Mas, o magnata Henrik Vanger é inimigo mortal do tal empresário, que havia trabalhado em suas indústrias no ínício de carreira e roubado o suficiente para montar seu próprio conglomerado. Vanger é o cabeça de uma família completamente desajustada, dois irmãos nazistas, uma irmã alcoólatra, sobrinhos desajustados, todos se odeiam e ninguém se entende com ninguém. Está montado o cenário para uma investigação cheia de intrigas e perigos. Lisbeth é contratada pelo jornalista para atuar como sua assistente na investigação. 

E o grande trunfo da estória é mesmo a garota com tatuagem de dragão. Sob a tutela do estado desde os 12 anos, ela agora com 23 ainda é considerada incapaz de administrar a própria vida. Problemas com drogas e violência ... Quando criança, ela tentou matar o pai abusivo ateando-lhe fogo. Assim, precisa se apresentar regularmente a um barnabé do serviço social que administra o dinheiro dela.

A atriz Rooney Mara fez um esplêndido trabalho, transformando a estranheza inicial em beleza

Temos a péssima mania de achar que certas coisas não acontecem em países considerados mais civilizados que o nosso. Ledo engano. Onde houver seres humanos, os mesmos defeitos e qualidades estarão presentes. Coloque poder na mão de uma pessoa e você a conhecerá realmente, saberá quem ela é e do que é capaz. Para o bem e para o mal. Infelizmente para a Lisbeth, foi para o mal, e acaba sendo vítima desse sujeito numa situação de poder. Mais não conto, porque senão estragarei o cinema de vocês.

A famosa tatuagem de dragão

O filme americano é muito bem amarrado, tem um bom ritmo, recoloca a garota no lugar de personagem mais forte da trama e consegue levar os espectadores numa viagem em que sequer piscamos os olhos. O Café & Conversa assistiu, gostou e recomenda. Não perca e aproveite para ler o livro, se gostar de mais detalhes. Agora é aguardar - ansiosamente - o segundo e o terceiro filmes. Veja o trailer abaixo.


6 comentários:

Rafael disse...

Olá Romoaldo,

Você teria algum e-mail para contato?

rafael@imigra.com.br

Ana disse...

O nome original do livro (e do filme) em sueco é "Män som hatar kvinnor", que significa "Homens que odeiam mulheres".

Café & Conversa disse...

Ana, você tem razão : ) O nome "The Girl with Dragon Tattoo" foi feito para o mercado americano : ) Mas, convenhamos que é muito melhor, né?

Obrigado e Beijão da Redação do Café & Conversa!

ideia não tem a(ss)ento disse...

esse é um grande filme!

Thyago disse...

Café & Conversa disse...
Ana, você tem razão : ) O nome "The Girl with Dragon Tattoo" foi feito para o mercado americano : ) Mas, convenhamos que é muito melhor, né?

Desculpe mas “The girl with the dragon tattoo”. O.k., tem a garota, tem a tatuagem de dragão, mas o livro não é só sobre Lisbeth, a hacker, injustiçada, rebelde, a anti-heróina maravilhosa que nos conquista a cada página! ;p

Café & Conversa disse...

Thyago,

Sou obrigado a discordar. A Lisbeth é a grande personagem de toda a trilogia. Se você leu todos os livros, já sabe que tudo gira em torno da Lisbeth e sua relação com o pai.

Além disso, temos a história do próprio autor que, aos 15 anos de idade, testemunhou o estupro de uma moça chamada Lisbeth.

Abraço

Café & Conversa