quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Café para quem amamenta

Romoaldo de Souza

Leo Meira Lins disse que a esposa dele está amamentando e informou que o casal gostaria de uma dica de café descafeinado.

- Olá, Café & Conversa, minha esposa está amamentando, queria uma dica de um bom descafeinado. Com a Nespresso ela não se deu bem... E agora? - pergunta o Leo.

O Brasil já produz cafés com baixos índices de cafeína. Pesquisadores da Embrapa também já desenvolveram grãos híbridos para reduzir o máximo a cafeína.

Dia desses, tomamos, aqui na redação um café produzido pelo pessoal do Ateliê do Café. Vale a pena.


Tem dicas e sugestão? Mande sua mensagem.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Borra de café no esgoto

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Graças a um grupo de pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova Iorque, o mau cheiro dos esgotos pode estar com os dias  contados. Segundo relato publicado no The Journal of Hazardous, a borra de café pode absorver o gás sulfato de hidrogênio, que é um dos principais responsáveis pelo mau cheiro do esgoto.

Nos Estados Unidos, as estações de tratamento utilizam o carvão ativado ou poroso para extrair o sulfato de hidrogênio do esgoto para combater o fedor. Mas, aqueles pesquisadores descobriram que ao transformar a borra do café em carbono ativado, a cafeína tem a capacidade de absorver enxofre muito bem.

A ideia da pesquisa surgiu quando a autora do relatório, a engenheira química da universidade americana, Teresa J. Bandosz, que também é apreciadora de café, jogou fora uma grande quantidade de borra de café. De acordo com a pesquisadora, a cafeína tem nitrogênio e com isso aumenta a capacidade do carbono de eliminar enxofre do ar. Para realizar o processo de carbonização, a borra de café é misturada com água e zinco. Em seguida, a mistura é levada ao forno para secar. O pó resultante é aplicado diretamente nos esgotos.

A cientista disse que o café fresco funcionaria ainda melhor, pois tem mais cafeína que a borra. Porém, ela explicou que não é economicamente viável esse tipo de uso. O perigo é virar moda entre os pecadores ser enterrado com um pouco de borra de café para evitar o mau cheiro do enxofre no Inferno.


Um abraço, bom café!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Café com nome e sobrenome

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Você sabe o que um “café de atitude”? E olhe que estou falando em atitude e não altitude. Se bem, que neste caso, estamos falando das duas coisas, porque “café de atitude” é como os produtores de Minas Gerais estão chamando a estratégia para lançamento da marca: Região do Cerrado Mineiro que tem até o apoio da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

O produtores querem mudar o foco do produto café e voltá-lo para as pessoas, o ambiente e o processo produtivo, valorizando a origem e o envolvimento de toda a comunidade. O Cerrado Mineiro começou a plantar café, na década de 1970 e hoje tem perto de 5 mil produtores que vendem quase todos os grãos para os Estados Unidos, o Japão e alguns países da Europa.

Importadores querem sabor, aroma e informação e esses dados
 já fazem parte dos cafés do Cerrado de Minas Gerais

O que acontece na prática é que os produtores de Minas Gerais estão dando nome e sobrenome ao café, porque café tem marca, origem e detalhes de como é plantado, o que demonstra valorização da origem e a sustentabilidade em todo o processo produtivo. No Oeste da Bahia, o produtores também já deram início ao processo de certificação do café plantado por lá.

Seria muito bom que outras regiões também se mobilizassem e dessem início aos seus próprios processos de certificação e/ou delimitação geográfica. O Sebrae tem o conhecimento, o governo do estado tem os recursos, só é preciso juntar a fome com a vontade de comer. Nós, os clientes, agradecemos.



Um abraço e bom café!

Os Descendentes

Ricardo Icassatti Hermano

Atendendo à calorosa recomendação da Little Mary, assisti o filme Os Descendentes. Sinceramente, não entendi porque o George Clooney foi indicado para o Oscar de melhor ator. O papel não exigiu dele nenhum esforço de atuação além do que ele costuma fazer em filmes medianos. As cenas que exigiram um pouco mais, emotivamente falando, não me convenceram. Ele poderia ter feito melhor. Talvez tenha sido indicado pela Academia diante da pobreza de boas atuações masculinas neste ano dominado pelas atrizes. Sei lá eu.

Por esse papel, o cara já levou o Globo de Ouro

O importante é que o filme é menos que razoável. A história gira em torno dos dilemas de um milionário pão duro de meia idade, pai de duas filhas e cuja esposa está nos seus últimos dias de vida em coma no hospital. Bateu a cabeça num acidente com  lancha de corrida oceânica, uma bon vivant que queria torrar mais a grana do marido. Desde que o humorista norte-americano Jerry Seinfeld mostrou que era possível manter um seriado no ar anos a fio falando sobre nada, o cinema resolveu imitar e fazer o mesmo. É o caso deste filme.

Cartaz do filme

Clooney interpreta esse milionário, Matt King, que tem um casamento falido, mas a partir do acidente que deixou a esposa em coma, passa a cuidar dela em tempo quase integral sem nenhuma dificuldade financeira. Menos um drama. O drama dele é lidar com uma filha adolescente que nem é tão rebelde assim, seu amigo adolescente retardado, a filha menor e a descoberta de que a esposa o chifrava à vontade com um corretor imobiliário igualmente casado e pai de dois garotos pequenos. Convenhamos.



Os personagens que compõem o núcleo "dramático"

Daí em diante, ele se ocupa em descobrir quem era o amante da sua esposa e aos poucos ir planejando o que fazer quando o encontrar. E não acontece absolutamente nada, sinto informar. Nem parece coisa de milionário. Está mais para nova classe média emergente deslumbrada. O cenário é o Havaí, mas pouco se mostra das suas belezas naturais. 



A garota coadjuvante quase rouba a cena ...

O que levei de bom do filme, foi a revelação da jovem atriz Shailene Woodley, que interpreta a filha adolescente. Também gostei do Nick Krause, que faz o adolescente retardado. A outra coisa boa foi uma frase, uma bela frase, que é um ensinamento do pai de Matt. É mais ou menos assim:

- Dê aos seus filhos dinheiro suficiente para fazerem alguma coisa e nunca dinheiro suficiente para não fazerem nada.
 

Aposto que esse garota vai fazer sucesso em Hollywood
O que vocês acham?

E é só. Não há catarse, ensinamento ou qualquer moral ao final do filme, assim como não há grandes emoções. Ouvi algumas pessoas fungando quando a esposa morre, mas foi só. É o tal do nada. A vida apenas continua e se você for um milionário, ela continua de maneira bem mais agradável. O engraçado foi perceber o comportamento dos casais no cinema. O silêncio é ensurdecedor quando Matt descobre que estava sendo chifrado pela esposa. Em seguida, os casais passam a se beijar ruidosamente. E o comportamento se repete toda vez que o assunto "chifre" retorna. Deve haver alguma mensagem aí nessa linguagem corporal ...


Esses dois se saíram muito bem

Não voltaria a assistir esse filme como fiz com o sensacional "Os Homens que não Amavam as Mulheres", que assisti novamente na companhia da Catita. Quando um filme é bom mesmo, a segunda vez que assisto é para prestar atenção em pequenos detalhes, cronometrar determinadas cenas, procurar erros e comparar, neste caso, com a versão sueca. Coisas de aficionado. Fiquem com o trailer.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um bom atendimento cativa


Alexandre Lacerda, leitor do blog Café & Conversa, disse que, como a maioria dos consumidores, gosta de ser bem atendido. Mas, em geral, costuma dar um desconto principalmente, quando chega numa cafeteira e percebe que o empregado novato ainda está engatinhando na arte de servir um bom café.

Bom atendimento é um direito do consumidor
Nosso leitor lembra de situações em que os pedidos chegam trocados, o atendente se atrapalha até na hora de pedir desculpas, mas Alexandre diz que a culpa é do gerente ou do proprietário, que nem sempre oferece treinamento a altura dos estabelecimentos e o serviço básico acaba saindo mal feito.

Escute o podcast e tire suas próprias conclusões 


ou aqui




Um abraço, bom café! 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O melhor café do Brasil

Romoaldo de Souza

O leitor Carlos Sereno quer saber qual é o melhor café do Brasil e eu já vou logo respondendo, Sereno. É um e são vários. Às vezes, nós tomamos um café e achamos que definitivamente é o melhor que não há outro igual. Em outras ocasiões, novas experiências sensoriais, novos sentimentos, aromas e sabores são despertados e acreditamos ser paixão à segunda vista.

Você vai ter de fazer suas próprias experiências para ir tirando conclusões. Mas, para começar, tire do seu café o costume de colocar açúcar. Dado esse primeiro passo, escolha cafés torrados recentemente. E não esqueça, quanto mais informação tiver no pacote, melhor.

Café orgânico, sem agrotóxico, pede um bolo-de-rolo para acompanhar.
Mas não confunda; assim como samba não é pagode, bolo-de-rolo não é rocambole

A altura do terreno em que o café foi plantado, influencia. O solo. A forma como é cultivado o grão que é usado. Um bom pacote de café precisa ter ao menos essas informações. Data de quando foi torrado, região onde é produzido e que tipo de sensação o seu paladar vai sentir quando tomar uma xícara.



Um abraço, bom café! 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um café na French Press

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Você continuaria consumindo normalmente o seu café de todo dia se o preço aumentasse, digamos, 50%? É assustador, mas eu continuaria porque sou jornalista e a nossa classe é movida a café. Pois 78% dos paulistas também manteriam o consumo de café mesmo com esse aumento absurdo, porém hipotético.

Foi o que apontou uma pesquisa realizada pela empresa Análise,  Pesquisa e Planejamento de Mercado (APPM) e divulgada na quarta-feira (15). Segundo essa pesquisa, 53% dos paulistas continuariam até mesmo comprando a mesma marca e quantidade; e 24% permaneceriam fiéis à marca, mas diminuiriam o consumo.

Apenas 14% dos entrevistados mudariam para uma marca mais barata, mas manteriam o mesmo nível de consumo, enquanto 9% diminuiriam o consumo e passariam a comprar um café mais barato. A surpresa da pesquisa ficou por conta da constatação de que 71% dos paulistas não gosta de tomar seu cafezinho fora de casa (bares, restaurantes e padarias).

E quem manda em casa é a dona patroa mesmo. A pesquisa revelou que a decisão sobre a marca do café e a compra em si são prerrogativas de 51% das mulheres, sendo que a qualidade do produto é uma característica indispensável para 46% dos entrevistados. E o fato de uma marca ser tradicional e "de confiança" define a compra para 36%.


Como se vê, o café pode ser caro ou barato, mas o importante é que todos os dias esteja nas mesas dos brasileiros. Melhor ainda se for feito em casa, o que significa que café coado é o campeão na preferência nacional.


Um abraço, bom café! 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Café para garantir o seu Carnaval

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Desde a última sexta-feira, você "frevou" em todos os blocos carnavalescos de Olinda e Recife que conseguiu encontrar pela frente. Mas, chega uma hora em que o cansaço vai pegar e, claro, você teme que não consiga levar adiante o seu plano de pular o Carnaval inteiro e terminar a folia no tradicionalíssimo Bacalhau do Batata, lá no Alto da Sé.

O que fazer? Você nos pergunta e nós respondemos. Tome café! Com apenas quatro xícaras grandes e cheias por dia, você garante a presença em todos os blocos da cidade e a energia necessária para chegar ao final dessa jornada de alegria.

Só tomando mesmo muito café para aguentar essa maratona
Como você já sabe, o café tem cafeína, uma substância estimulante que anula os efeitos de outra substância, a adenosina, que causa o sono. A cafeína produz um estado de alerta de curta duração, pois o organismo humano absorve rapidamente, e ela passa logo para o sistema nervoso central deixando o corpo ativo. Além disso, o café ainda tem vitaminas, sais minerais, aminoácidos e açúcares.

Ah, não se esqueça de beber bastante água porque a suadeira pode acabar em desidratação e estragar o seu plano de Carnaval.


Um abraço e bom café! Ziriguidum ôba!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Dama de Ferro

Ricardo Icassatti Hermano

Eu até entendo que os britânicos quisessem que o filme ajudasse a reforçar o mito, concentrando-se mais nos grandes feitos e conquistas históricas. Também entendo que os argentinos não gostem do filme por terem sido vexaminosamente derrotados numa "guerra" que mostrou ao mundo quão patéticos eram os generais que comandavam a ditadura naquele país. Quem quer lembrar um mico desses? Todos têm suas razões para reclamar e fazer biquinho para este filme, mas nenhuma delas é justa.

O filme A Dama de Ferro é simplesmente fabuloso. Todos aqueles reclamões se "esquecem" que cinema não é propaganda e não deve servir aos propósitos políticos de quem quer que seja. Quem usou a sétima arte para esses fins, se deu mal. Estão aí os filmes-propagandas-mentirosas da era nazista e aquele sobre a vida do Lula que não me deixam mentir. Hoje, são motivo de risada apenas. Para inventar histórias falsas estão aí disponíveis os livros de auto biografia e os blogueiros progressistas.

Cartaz do filme

Se a Meryl Streep não levar o Oscar, uma enorme injustiça será cometida. A atuação dela na pele da ex-Primeira Ministra da Inglaterra, Margareth Tatcher, é fantástica, soberba, desbundante. O trabalho de maquiagem e caracterização também é primoroso e merecedor de muitos prêmios. O roteiro da premiada Abi Morgan nos surpreende porque foge do lugar comum e apresenta uma versão da prestação de contas com o passado, que um dia todos nós faremos. Como podemos ver, trata-se de um filme feito por mulheres e sobre uma grande mulher. 

A caracterização ficou perfeita

Quando se realiza uma obra sobre a vida de alguém tão importante para a História, é preciso focar em algum ponto, que pode ser uma única decisão, um período de tempo, um conjunto de ações ou uma característica pessoal. Neste filme, escolheram como fio condutor uma característica pessoal de Tatcher, sua obstinação na defesa de princípios e o balanço que faz da sua atuação política e da relação familiar ao final da vida. 

A relação de 50 anos com o marido é um dos destaques

Baseada nesses princípios, a ex-Primeira Ministra tomou as decisões que, num primeiro momento, pareciam ser erradas, catastróficas mesmo. Mas, o tempo se encarregou de mostrar que ela estava absolutamente certa. Foram aquelas corajosas decisões aparentemente amargas, porém necessárias, que tiraram o Reino Unido da recessão econômica e que, ainda hoje, mantêm o país a salvo da crise europeia. Foi a recusa em trocar a Libra Esterlina pelo Euro que salvou a Inglaterra do abraço de afogado dos países fiscalmente irresponsáveis. 

Uma mulher decidiu os rumos do mundo

Quando foi preciso aplicar o remédio doloroso, Margareth Tatcher não fugiu à sua responsabilidade e enfrentou sindicalistas espertalhões, que sempre estão atrás de uma boquinha, de privilégios, sinecuras, e só têm compromisso com o corporativismo das suas categorias e com o assalto aos cofres públicos. Pois a Dama de Ferro, apelido que recebeu da esquerdalha russa, venceu todos os problemas com a defesa de princípios. Basta ver a sucessão de primeiros-ministros desastrosos e corruptos que se seguiu a ela.

Enfrentando a "ira" dos sindicalistas

É uma história que conhecemos bem. Coincidentemente, temos uma mulher à frente do nosso governo, que até faz uma força danada para parecer tão austera e competente quanto Mrs. Tatcher. Porém, é impossível imaginar a ex-Primeira Ministra britânica agindo como agiu e age a presidente brasileira em relação aos escândalos de corrupção no seu governo e à omissão criminosa na infra estrutura do país. Ao contrário de lá, aqui reinam a crença e a fé absoluta na propaganda para transformar erros e desvios em acertos e qualidades. Em cores, digamos, mais circenses, algo parecido ocorre na vizinha Argentina.

Torna-se imprescindível recordar o que disse Margareth Tatcher sobre o Brasil em entrevista concedida à revista Veja em março de 1994:

"Parece-me bem claro que o Brasil não teve ainda um bom governo, capaz de atuar com base em princípios, na defesa da liberdade, sob o império da lei e com uma administração profissional. Bastaria um período assim, acompanhado da verdadeira liberdade empresarial, para que o país se tornasse realmente próspero".

Sem dúvida, parece-nos claro como cristal que ainda não tivemos esse governo ...

E aí eu me pergunto: por que as feministas do mundo inteiro não acendem velas todos os dias para essa mulher fenomenal? Vamos analisar. Margareth Tatcher era filha de um quitandeiro de uma minúscula cidade do interior, que também amava a atividade política e chegou a ser prefeito da sua cidade. Com dificuldade, ela conseguiu se formar na universidade de Oxford e enfrentou preconceitos a vida inteira por sua origem humilde e pelo fato de ser mulher. Sobreviveu a um atentado terrorista e viu seu porta-voz ser assassinado. O único defeito dela é não ser "disquerda". E o movimento feminista está nas mãos de mulheres que jamais realizarão um bilionésimo do que a Dama de Ferro fez.

Com o pai quitandeiro aprendeu os princípios que defendeu

A diretora do filme, Phyllida Lloyd, tratou com muita delicadeza essa etapa final da vida da mulher que mudou o mundo porque soube o que fazer com o poder que lhe foi delegado e como lidar com os covardes que a cercavam. Todos homens, é bom frisar. Margareth Tatcher está com 86 anos de idade e sofre com as sequelas do envelhecimento. Evito usar o termo adotado para o seu caso. O filme parte dessa etapa final da vida para, em flashes, mostrar o balanço que essa mulher poderia fazer da sua atuação pública e pessoal. Um desafio monumental que a diretora venceu com brilho.

Uma vida dedicada a fazer política com coragem e honestidade

E chega a ser comovente (ou revoltante, quando fazemos a comparação com os nossos políticos) saber que a mulher mais poderosa do século XX não se transformou numa milionária e seus filhos não estão esbanjando riquezas suspeitas por aí. Ao contrário do que vemos por aqui, com as riquezas súbitas e instantâneas que invariavelmente passam pelo roubo de dinheiro público. A Dama de Ferro é um filme imperdível para quem tem algum interesse que não sejam "as tramas da semana no BBB 12". Assista o trailer:


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Romance

Ricardo Icassatti Hermano

Não. Eu não vou falar sobre amores de Carnaval. O título aí em cima é de um texto postado no blog da nossa amiga e correspondente ocasional e perambulante, globetrotter e escritora Heleny Galati. Atualmente, ela está baseada em Londres, mas sempre viaja para a terra dos seus ancestrais, a Turquia, para renovar as energias vitais.

Heleny Galati, mãe, escritora e cidadã do mundo

Empresária muito bem sucedida no ramo de tecnologia, resolveu mudar tudo para se dedicar aos seus dois amores, o filhote e a literatura. Inclusive já tem um livro publicado, AsifPor isso, vendeu a empresa, foi morar em Londres e viajar pelo mundo afora. Sorte nossa, porque assim ganhamos uma correspondente informal que já nos brindou com um passeio pelas melhores cafeterias da capital inglesa. 

Heleny percorreu a fronteira da Turquia e agora quer ir de moto

Heleny tem o seu próprio blog e, às vezes, é generosa o bastante para nos permitir postar aqui no Café & Conversa alguns dos seus belos textos. Amizades funcionam assim mesmo. Nós gostamos dela, ela gosta da gente e todos queremos ser felizes. Além disso, ela garante que o texto foi inspirado por uma brincadeira minha.

Mas, eu já falei demais. Fiquem com esse delicioso devaneio da Heleny.


Romance
Heleny Galati

Todos os dias ele me acorda. Não, na verdade eu que acordo pensando nele. No calor, no sabor e no perfume. Um sorriso sempre segue, mesmo que o mau humor esteja fazendo companhia. Logo vou prová-lo.

Saio da cama contrariada. A vontade é virar de lado e deixar o sono correr. Meu sono é tão desembestado quanto um cavalo. Quando o deixo livre, posso ficar dias nesse estado de não existir. Melhor, existindo em outro lugar. Olho no espelho: horrível, essa é a palavra. Os olhos com jeito de que ainda não despertaram para as cores de hoje. O sorriso entortado pelo mau do humor e as olheiras, eternas companheiras, herança de família, me deixam com cara de ontem.

Abro o chuveiro. Banho sempre melhora o humor. O perfume que exala do sabonete traz a sensação de estar onde quero estar e não aqui. O calor da água no corpo lembra o toque suave das mãos do amante mais perfeito. Agora não é só o sorriso que aflora, mas sutil gargalhada. Fantasio em todo lugar, até aqui.

Deixo aquele prazer todo. Ele espera. Preciso me preparar. No quarto o eterno problema: “o que vestir?” Hoje é dia de reunião, mas terninhos sofisticados, sóbrios, não combinam comigo. Pego uma calça preta, uma camisa branca e as botas. Meu estilo é esse, normalmente jeans ao invés de uma calça de seda, mas a reunião é importante e preciso parecer bem. Olho no espelho. Acho que o arranjo ficou bom, o que ainda não está perfeito é o meu humor.

Vou para a cozinha. Antes mesmo de entrar, sinto o seu perfume. Ele parece me procurar, da mesma forma que a abelha procura a flor. Sei que ele não percebe o efeito que exerce em mim. Na verdade, nem tem consciência da necessidade que tenho dele. Não importa. Toda manhã ele está me esperando, toda manhã eu o sorvo com paixão.

Cozinha clara, branca, imaculadamente organizada. Meu estilo de novo. A mesa preparada nos oferece pão fresco, suco de laranja naquele copo de pé alto que tanto gosto. Queijo, hoje um queijo branco de cabra e um mais amarelado. Iogurte não pode faltar, da mesma forma que os tomates, azeitonas, menemen e frutas. Tudo ali esperando para ser apreciado. Artisticamente arrumados sobre a toalha a louça branca, os talheres de prata e as flores. Hoje são lindas tulipas vermelhas.

E ele? Ali, quietinho, me esperando. Sento ansiosa na cadeira macia. Pego a xícara branca e despejo nela o líquido negro. O aroma me encanta. A cor, minha favorita, enche a alma de alegria. Sorvo o primeiro gole. Finalmente começo a me sentir bem, ele está em mim agora. Meu dia então começa. Amo tanto essa cumplicidade entre ele e eu... Um quase romance entre o café e esta mulher.

Um café sob medida

Romoaldo de Souza

Quem nunca errou a dose, na hora de passar um café que levante a primeira xícara. Eu me recordo bem que o mestre Francisco de Assis, um barista que entendia tudo de café, costumava dizer, quando frequentávamos o Café Eldorado, no centro de Brasília, que as medidas foram feitas para serem usadas. A prática de fazer uma receita colocando os ingredientes, como se diz no ditado popular, no olho, sem determinar a quantidade, mais cedo ou mais tarde vai dar errado.

O colombiano Juan Valdez é um café ideal para essas exigentes horas de Carnaval
Por isso, para começar bem o Carnaval, prepare um café em casa e use as medidas que vou dar no podcast abaixo: 


Um abraço, bom café! 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sul de Minas ou Mogiana, qual é o seu café?

Romoaldo de Souza

Aí você chega numa cafeteria, a atendente pergunta se você prefere um café do Sul de Minas Gerais ou um Mogiana.

Características de um café são detalhes importantes e o cliente não precisa saber todos. Mas, quem está servindo tem de se preocupar com a maneira como oferece as diferentes alternativas.

Dia desses, um leitor do blog Café & Conversa chegou numa importante cafeteria e foi recebido com uma pergunta, no mínimo diferente.

- Prefere um Sul de Minas ou posso servir um café mogiano? – sapecou a atendente. 

Essas informações são genéricas demais para o cliente, que só está ali para provar um bom café. O ideal seria quando o cliente se sentasse à mesa fosse recebido mais ou menos assim.

- Olá, bom dia, boa tarde! Hoje nós temos duas opções. Um café do Sul de Minas Gerais, encorpado, levemente ácido e com notas de frutas vermelhas. Ou um café da região Mogiana de São Paulo, mais suave, baixa acidez e com um leve toque de azeite de oliva.

É bom o cliente ter alternativas para poder decidir por tomar o café que mais lhe agradar!


Um abraço, bom café!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Interatividade na Cafeteria

Ricardo Icassatti Hermano

Para avaliar se a interatividade é inteligente, essencial ou desejável, a cafeteria finlandesa Kauko Cafe montou um espaço no Forum Shopping, em Helsinque, ligado a um site com transmissão ao vivo.


Através do site, internautas podem interferir no design do ambiente, aumentando ou diminuindo o tamanho de cadeiras e mesas, modificando a intensidade das luzes e até escolhendo as músicas. Os clientes também podem acessar o site e brincar com o vizinho de mesa através de uma rede Wi-Fi instalada no local.


O espaço ficará disponível ao público até o final do mês e é parte das comemorações pela designação da cidade como a Capital Mundial do Design . Os clientes se submeteram à experiência com muito bom humor e os melhores momentos podem ser vistos no vídeo abaixo:

Bob Marley Coffee

Ricardo Icassatti Hermano e Romoaldo de Souza

Vocês sabiam que o compositor e cantor jamaicano Bob Marley era um grande fã de café e sonhava em ter uma fazenda de café? Infelizmente, ele não conseguiu realizar o sonho. Mas, em 2009, o seu filho Rohan Marley levou adiante o projeto e hoje comanda uma torrefadora na Jamaica, a Marley Coffee, onde utiliza grãos orgânicos jamaicanos, de países da América Central e da Etiópia. A empresa também apoia pequenas cooperativas de produtores e as práticas de sustentabilidade e éticas na produção de café.

Rohan costuma lembrar como a sua avó secava os grãos de café ao sol e depois os torrava para preparar sua xícara de café de todas as manhãs. Ele espera que o Marley Coffe possibilite aos consumidores experimentar o mesmo aroma exuberante, além do rico e suave sabor que ele conheceu com o café da sua avó.


A Marley Coffee tem uma extensa linha de produtos, cuja principal característica é que todos levam nomes de músicas do Bob Marley, como “One Love” e “Lively Up!”. Assim, quando for tomar a sua próxima caneca de café, ouça “One Love” e sonhe com um café cremoso, encorpado e que tenha notas de chocolate e frutas vermelhas.


Um abraço, bom café!

Cante com Bob Marley o rei do reggae:

One love, One heart
Let's get together and feel all right
Hear the children crying (One Love)
Hear the children crying (One Heart)
Sayin' give thanks and praise to the Lord and I will feel all right
Sayin' let's get together and feel all right


Let them all pass all their dirty remarks (One Love)
There is one question I'd really love to ask (One Heart)
Is there a place for the hopeless sinner
Who has hurt all mankind just to save his own?
Believe me


One Love, One Heart
Let's get together and feel all right
As it was in the beginning (One Love)
So shall it be in the end (One Heart)
Give thanks and praise to the Lord and I will feel all right
One more thing


Let's get together to fight this Holy Armageddon (One Love)
So when the Man comes there will be no no doom (One Song)
Have pity on those whose chances grove thinner
There ain't no hiding place from the Father of Creation


Sayin' One Love, One Heart
Let's get together and feel all right
I'm pleading to mankind (One Love)
Oh Lord (One Heart)


Give thanks and praise to the Lord and I will feel all right
Let's get together and feel all right

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Bronzeador de café

Romoaldo de Souza

Paulo Dourado, apesar do nome, está um pouco, por assim dizer, desbotado de tanta chuva que tem caído em Brasília. Nosso ouvinte escutou outro dia uma reportagem que fizemos com uma empresária de Minas Gerais, que está fazendo creme e sabonete de café.

Nesses dias de fevereiro, o céu de Brasília fica com esse jeitão de que vai chover, e chove!

Interessado em pegar um bronze e fazer inveja aos amigos de Brasília quando retornar do frevo pernambucano no Carnaval, Paulo Dourado quer saber quando chega ao mercado um bronzeador feito de café. 

Pelo o que me disseram as meninas do site Mexido de Ideias, nesse Carnaval você vai seguir os blocos de Recife, usando ainda o bronzeador que costumeiramente tem usado. Mas, a expectativa do Instituto Agronômico de Campinas é de que o caveol, óleo extraído dos grãos do café, em breve vai começar a fazer sucesso nas piscinas e praias desse Brasil de tanto Sol.

A foto é de divulgação, mas a praia é bonita assim mesmo

Taís Wagmaker fez a pós-graduação dela, provando que o caveol bloqueia os raios ultravioleta e pode ser usado como protetor solar da pele. O pessoal do Instituto Agronômico já pediu o registro da patente. Quem sabe, já no Carnaval de 2013, você não estará fazendo jus ao nome, bronzeado com um produto do grão que você toma.


Um abraço, bom café!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas

Ricardo Icassatti Hermano

Convidado pela mulherada - Clarita, Little Mary e Ruth -, fui assistir Histórias Cruzadas. O filme é baseado em uma história real, uma semi auto biografia belissimamente retratada pela escritora Kathryn Stocett em seu livro The Help. Ela inclusive faz uma figuração no filme.

Cartaz do filme

Antes, jantamos num dos piores estabelecimentos que já conheci. Nem me lembro o nome, mas fica no shopping Liberty Mall, onde era a loja Richards. Atendimento péssimo e comida ruim. Não recomendo aos amigos, só aos inimigos.

Mas, o filme é belíssimo, dirigido por Tate Taylor, que também assina o roteiro com a autora do livro. O elenco surpreende pela performance e só fui entender quando assisti a atriz Viola Davis receber o prêmio de melhor atriz do Critics' Choice Movie Awards, uma das prévias do Oscar, para o qual também está indicada.

Viola Davis recebendo o prêmio de melhor atriz
no Critics' Choice Movie Awards

Ao receber o prêmio ela lembrou, banhada por lágrimas, da escolha profissional que fez e dos sacrifícios enfrentados por seus pais e avós para que pudesse estar ali, naquele momento. Comovente. Vi que foi dali que ela tirou toda a profundidade dos sentimentos utilizados na composição da sua personagem no filme. O seu intenso e breve discurso mudou todos os que vieram em seguida. 

O filme nos conta uma história feminina. São mulheres atuando no restrito e misterioso universo feminino das relações entre patroas e empregadas domésticas, mas que traz nas suas entranhas o contexto social do mundo exterior: a segregação racial nos Estados Unidos. O ano era 1963. Parece um passado distante, mas não é. Eu era um garoto nessa época e as notícias me impressionavam. Estudantes negros eram enforcados em universidades. A população negra tinha lugares separados nos ônibus, assim como banheiros e até bebedouros próprios.

Relações de preconceito e segregação disfarçadas de convivência consensual 

Toda mudança exige sacrifícios. Aquele(a) que ousa quebrar o paradigma, sabe que pagará um preço alto para que as gerações seguintes possam desfrutar de algo que ele(a) mesmo talvez sequer chegue a conhecer. E os sacrifícios foram enormes. Desde a empregada doméstica que perdeu seu sustento, até o presidente americano John Kennedy e o pastor Martin Luther King, que perderam a vida em assassinatos covardes. Mas a mudança veio e ficou.

Kennedy e Luther King na Casa Branca

E o que mantém uma situação absurda como a que vemos no filme e que existiu por décadas em absoluto silêncio? Uma cidade inteira dividida entre as patroas brancas e as empregadas domésticas negras, que inclusive criavam as crianças rosadas daquelas patroas. Uma escravidão velada, onde o chicote e os grilhões foram substituídos pelo salário e o medo de não ter um emprego.

Muitas crianças brancas foram bem criadas por essas mulheres negras

É nesse cenário que uma garota branca, amorosamente criada por uma empregada negra, resolve escrever um livro sobre aquilo que viveu e conhece bem. Toda a rede de cumplicidade entre as patroas brancas e a rede de cumplicidade entre as empregadas negras. Todos os absurdos e abusos. Todo o medo e acomodação.

Felizmente, algumas mulheres querem mais da vida
do que um casamento (ruim) e jogar baralho com as amigas

Como qualquer coisa errada feita pelo ser humano nesse mundo, basta jogar uma luz para que o mal se desfaça. O ser humano é essencialmente covarde, se tem a certeza da impunidade e da não publicidade dos seus mal feitos, é capaz de tudo. Os Estados Unidos fervilham com a campanha pelos direitos civis dos negros. Os embates começam a ficar sangrentos. Embora o universo feminino pareça não se envolver na política, é justamente o acirramento das tensões no mundo exterior que leva ao rompimento do silêncio que encobre aquelas relações domésticas.

Elas resolvem falar e começam a mudar o futuro

A partir dos depoimentos das empregadas negras, a moça branca escreve um livro revelando histórias que se mantinham ocultas pelo medo e pelo comodismo. Algo que lembra muito o comportamento dos brasileiros diante de várias situações aviltantes, como a corrupção desvairada e o descaso do governo para com as necessidades básicas da população.

Pense numa convivência tensa ...

O filme é magnífico. O elenco arrasador. No início, cheguei a duvidar de algumas atrizes escolhidas. Pensei que não dariam conta do recado. A história é confinada ao universo feminino e, por isso mesmo, altamente complexa. Mas, as moças foram simplesmente espetaculares. Nota-se a mão firme do diretor, que não deixou a coisa desandar para o piegas.

As garotas se saíram muito bem

Saí do cinema completamente ensopado pelas lágrimas da Little Mary de um lado e da Ruth de outro. Clarita nos abandonou sem o menor pudor alegando ter esquecido de um jantar previamente agendado. Perdeu um filmão que o Café & Conversa recomenda sem pestanejar. Veja o trailer.