segunda-feira, 9 de maio de 2011

Banda Évora com Jamila e Carol ... sonhos e magia ...


Ricardo Icassatti Hermano

Para quem acha que segunda-feira é um dia chato, reservamos uma surpresa. Vamos iniciar a semana com um banho de beleza, talento, arte e magia. Dia desses, fui designado pela chefia da redação do Café & Conversa como repórter especial e intrépido para a cobertura de um show noturno de dança e música, que aconteceria numa casa chamada Mittelalter - Espaço Cultural e Taberna (SCLN 203 Bloco C Loja 59).

Fui a convite das protagonistas do show, as jornalistas Jamila Gontijo e Carolina Lima, ou simplesmente Carol. A primeira é a cantora da banda Évora e a segunda é a bailarina de Tribal e Dança do Ventre. Não sabia bem o que esperar, mas já havia visto umas fotos de shows anteriores e gostei. Afinal de contas, são duas mulheres da categoria "SUA LINDA". Faltava conferir se realmente tinham o dom artístico. E lá fui eu. Missão dada é missão cumprida!

Duas "SUA LINDA" faixa preta quinto Dan. Esbanjando talento e beleza.

A Mittelalter (idade média em alemão) é uma taberna com ambientação de castelo medieval. Como bem observou a Jamila, ao descermos as escadas para o porão onde o show é apresentado, temos a impressão de que entramos no túnel do tempo. Os garçons e garçonetes se vestem a caráter e, nesse dia, apareceu até um pirata gay que acredito estava querendo se inspirar no Jack Sparrow, de Piratas do Caribe ...

O show era da banda Évora, que toca músicas da cantora canadense Loreena Mckennitt e faz misturas sensacionais com instrumentos árabes e indianos. Em algumas músicas, a Carol faz sua apresentação de dança, que soube depois não se tratar de Dança do Ventre pura, mas de um novo estilo chamado Fusion, que une Tribal, Dança do Ventre, Flamenco e dança indiana.

Banda Évora a pleno vapor

O show é simplesmente fantástico! E mais fantástico ainda é descobrir que jovens talentosas e lindas estão produzindo arte de qualidade em Brasília. Fiquei realmente emocionado em ver aquelas meninas e aqueles rapazes se empenhando para nos proporcionar tanta beleza e magia por meros R$ 10. É desoladora a falta de apoio cultural do Governo do Distrito Federal e o quase nenhum interesse da população brasiliense em prestigiar os artistas locais.

Os olhos de Carol procuram por um futuro para a cultura ...

Toda a ambientação do show nos transporta para um mundo de sonhos. Jamila canta como um anjo e Carol dança como uma deusa. As misturas, tanto musical quanto na dança, são perfeitas e funcionam como um mantra, pelo menos para mim. Entrei em estado de graça, de euforia, de êxtase. Elas iluminaram minha alma e conduziram meu coração pelas misteriosas lendas do Oriente.

O intrépido repórter só largou sua árdua missão quando chamaram a polícia ...

É claro que entrevistei as duas. Leiam como foi.

C&C - Carol, como você começou na dança?

Carol - Comecei a fazer dança aos oito anos de idade. Comecei com jazz, depois fiz balé clássico também e cheguei aos 27 anos sempre dançando. Aos 15 anos passei para Dança do Ventre, gostei muito, sempre achei a cultura interessante e decidi me dedicar ao estilo. Fui me profissionalizando como dançarina e, de dois anos para cá, passei a estudar o estilo Tribal, que é um estilo novo de Dança do Ventre.

Uma deusa indiana, uma diva do Flamenco ou uma estonteante odalisca?

C&C - E como você concilia a dança com o jornalismo?

Carol - Aqui em Brasília é meio difícil viver de dança, então sou jornalista e bailarina. Se eu pudesse, seria só bailarina, mas aqui é muito complicado, tem pouco incentivo à cultura. O público de Brasília não tem o hábito de privilegiar a cultura, como em São Paulo e Rio de Janeiro por exemplo. Mas, a gente vai tentando viver praticando a arte, na medida do possível.

Uma linda jornalista de dia. Uma deusa encantadora à noite.

C&C - E o seu estilo de dança? Parece uma mistura de vários estilos. É isso mesmo?

Carol - Meu estilo de dança é chamado de Belly Dance Fusion, que é a mistura de Dança do Ventre clássica com o estilo Tribal. O Tribal é um estilo mais exótico, um pouco diferente da Dança do Ventre clássica. Ele surgiu e foi desenvolvido nos Estados Unidos com o nome de American Tribal Style. As bailarinas juntam movimentos árabes e indianos para compor as coreografias. Além da Dança do Ventre e do American Tribal Style ainda existe o Fusion, que é a mistura dos dois. É o que eu danço hoje. Uma bailarina bem conhecida no mundo que dança o Fusion é a Rachel Brice, que é muito boa.

Aí eu gritei: "Para com isso, Carol ..."

C&C - E a música? Também passou por esse processo de fusão e mistura?

Carol - Alguns grupos musicais já produzem música especificamente para o estilo Fusion ou Tribal apenas. Você pode dançar o Tribal puro ou pode dançar o Fusion. Tem o Beats Antique, que é um grupo muito bom, composto por dois músicos e uma bailarina. Tem o Pentaphobe, que também produz esse tipo de música. As músicas misturam sons indianos com sons árabes e ritmos eletrônicos. É uma música psicodélica árabe-indiana (risos). É um estilo bem diferente, alternativo e as pessoas estão gostando, porque sai do clássico usado na Dança do Ventre e traz algo novo, diferente.


Aqui um videoclipe da banda Beats Antique


C&V - Eu identifiquei até umas batidas do Hip-Hop.

Carol - Tem uns movimentos que usamos no Tribal que são rápidos e quebrados, como se estivéssemos quebrando o corpo, e que foram inspirados no Hip-Hop. Misturamos isso com a leveza e a suavidade da Dança do Ventre para surgir o Tribal. A música celta vem do tributo que a banda Évora faz à cantora canadense Loreena Mckennitt. Nas músicas dela são usados vários instrumentos árabes. Tem o violino, o Derbak, e a gente tenta montar um mosaico com um pouco de cada estilo.

A espada é só um aviso para os abestados ...



C&C - Jamila, como surgiu a ideia de fazer esse tipo de show, juntando música celta com Dança Tribal?

Jamila - Esse tipo de música da Loreena Mckennitt, que mistura música erudita com música celta, influências flamenga, árabe, é um estilo de som que gosto há muito tempo. Já fui dançarina também e, na época, gostava de pesquisar esses ritmos étnicos e folclóricos vindos do Oriente, mas com um pouco de instrumentos eruditos. Eu e a minha amiga, a Betty Vinil, com quem já havia realizado outros projetos musicais, começou a tocar Derbak (instrumento de percussão de origem árabe muito utilizado na música Flamenca, onde recebeu o nome de Cajón) e se revelou um grande talento. Ficávamos imaginando o que poderíamos fazer juntas e que mostrasse a nossa paixão por esses estilos musicais. Foi quando chegou o terceiro elemento, o violonista Tite Moreno que tem uma banda de música celta. E o Mittelalter é um lugar muito inspirador, por isso preparamos nosso primeiro show para ser apresentado lá. A partir desse primeiro show, as coisas foram crescendo naturalmente e as pessoas gostaram muito do trabalho. Não só pela Loreena Mckennitt, nós acrescentamos outros elementos e outras composições. Aí juntou também a Carol, que é uma dançarina muito talentosa e também gosta desse estilo.

Jamila, anjo mulher que canta divinamente

C&C - E a união da loira com a morena? Foi proposital?

Jamila - (risos) A junção da loira com a morena não foi proposital. Engraçado que a Betty tem o cabelo preto, mas com umas mechas ruivas. Acho que a composição ficou muito legal. E, na verdade, a banda Évora leva o nome de uma cidade portuguesa, mas também é o nome de uma famosa bruxa que supostamente viveu em Portugal, era curandeira e especialista em ervas. Dizem que ela era uma bruxa muito poderosa. Aconteceu da gente escolher esse nome que também tem a ver com essa força feminina muito presente na banda, cujo núcleo é formado por essas três mulheres. Não é muito comum ter em bandas esse domínio feminino, né?

Ah, Jamila ... não faz assim ... olha pra cá, olha ...

C&C - E o show acaba tendo momentos meio mágicos.

Jamila - Tem momentos no show que tem essa coisa meio mágica. Porque o som da Loreena é muito mágico e os instrumentos árabes criam um clima, eu não sei. É uma combinação de elementos que evocam essa atmosfera meio mágica, que o Mittelalter também traz. Parece que conforme se vai descendo as escadas, a cada degrau se volta cem anos no tempo. Não é só uma experiência musical, mas de entrar no túnel do tempo mesmo. E é incrível como as coisas foram se combinando assim. Parece que o universo conspira mesmo. Cada um ali contribui de uma forma. O violinista também tem gosto por esse estilo musical medieval meio celta e é meio cigano. Cada um trouxe uma influência. A Betty é árabe e flamenga. Eu gosto dessa coisa erudita. A Carol veio com o tribal e eu acho que arrematou.

"I'll put a spell on you ..."

C&C - Como você chegou até a música da Loreena Mckennitt? Você tem um timbre de voz parecido com o dela.

Jamila - Cheguei na Loreena quando fazia pesquisas de dança. Comecei a dançar em 1997 e tive uns cinco anos na carreira, morei fora, dancei fora. E a Loreena chegou até mim através da dança, porque as músicas dela têm um trabalho harmónico muito bom para a dança, especialmente para esse tipo de dança oriental. Não é só dança do ventre. No nosso caso, exploramos a dança tribal, que mistura elementos indianos, árabes, flamencos, africanos com uma linguagem contemporânea. É uma releitura. A dança do ventre é muito folclórica, muito linda,mas a sua estrutura é voltada para uma tradição folclórica. A nossa proposta é trazer todos esses elementos para uma linguagem mais contemporânea, para que as pessoas possam se identificar.

Ao fundo, Betty. Ela é quem completa o trio de gatas e
ainda faz o batidão árabe, indiano e flamenco.

C&C - E como está a agenda de vocês? Quando será o próximo show?

Jamila - O próximo show está marcado para o dia 28 de maio, lá no Mittelalter. Até o fim do ano, teremos pelo menos um show por mês no Mittelalter. Embora algumas pessoas associem a Loreena Mckennitt a música mais tranquila, etérea, é uma música muito alegre também. Nossos shows acabam sempre com as pessoas fazendo roda, dançando. O show tem uma grande interatividade com o público e as pessoas saem muito felizes. É um clima de muito astral, de sonho, encantamento, meio lúdico-místico.

Tem gente que prefere ficar em casa se lamuriando, vendo TV
e se entupindo de sorvete de chocolate ...

Pois é. Fiquei fã das meninas e vou voltar. E se alguém quiser contratar o show deslumbrante e hipnotizante da banda Évora, com tudo a que tem direito, em Brasília ou em outra cidade, o contato é pelo telefone (61) 8116-1512. Já estou com umas ideias aqui para a festa do meu aniversário ...

Um comentário:

Jamila Gontijo disse...

Adorei o post, meninos! Obrigada e até o próximo show. Beijos medievais...rs...