sábado, 14 de maio de 2011

Broken Heart's Brodo - Último Capítulo


Ricardo Icassatti Hermano

Como eu sei que vocês não veem a hora de começar a ler o último capítulo, deixei as minhas considerações habituais para o final. Apenas esclareço que teremos duas músicas para a trilha sonora de hoje. A primeira delas é o pedido da Andréa, uma queridíssima amiga lá do Maranhão, a quem carinhosamente apelidei de Samps. A segunda música é escolha minha.

Agora corram, liguem o som, escolham a trilha sonora que mais gostarem ou logo as duas, providenciem uma caixa de lenços de papel, uma grande taça de vinho tinto, sentem-se confortavelmente, parem de roer as unhas e divirtam-se.






Raffaello pediu uma água com gás. Carmem, sem gás.

- Então, Carmem. Viemos até aqui para darmos um fim nessa ... relação? E uso essa palavra "relação" porque não tenho outra melhor.

- Calma. Acabamos de chegar. Nem comecei ainda.

- Ok, Carmem. Fale tudo o que você achar necessário. Vou escutar.

Carmem iniciou um monólogo sem pé nem cabeça. Parecia estar tentando se convencer e não tentando explicar algo a Raffaello. Sequer olhava para ele. E ele não estava acompanhando aquele raciocínio torto e contraditório. Na verdade, estava confuso. Não sabia porque ela preferira toda aquela pantomima infanto-juvenil em vez de ir direto ao assunto. Eles haviam combinado que isso jamais aconteceria, que o dia em que um deles não quisesse mais, bastaria dizer francamente e pronto. Sem necessidade de explicações inúteis.

- Carmem, por favor pare. Por que você está fazendo isso?

- Isso o que? Chegamos aqui tem 10 minutos!

- Já escutei o suficiente. Você está a um passo de me tratar como um idiota.

- Idiota?

- Sim, idiota. Você está dando uma volta enorme para chegar onde nós dois sabemos que essa conversa vai chegar. Para que isso? Não foi isso que combinamos desde o início.

- Estou desenvolvendo um raciocínio, explicando ...

- Você acha mesmo que essa explicação toda vai mudar o resultado? Que não vai doer? Você quer me convencer de que? Eu não preciso de explicações. Cada um sabe onde o calo aperta e tem seus motivos para fazer o que faz. Apenas me diga o que você quer.

- Você não me deixou terminar ...

- Tá bom, Carmem. Termine.

Raffaello poderia ter desmascarado Carmem logo de uma vez e apontado a mentira estampada na sua cara. Mas, para que? Ela era uma mulher adulta e ele nunca cogitou ensinar nada a ninguém. Apontar a mentira só teria sentido se houvesse algum ganho na relação. Mas, que relação? E confiança é como borracha. Quanto mais erros apaga, menor ela fica. Não existe relação baseada em mentira. Não existe relação uma vez que a mentira é descoberta. E ele já não tinha qualquer interesse em saber que mentira era aquela ou porque ela decidiu mentir. Era problema e Karma dela.

Enquanto Carmem dava prosseguimento ao seu monólogo sem sentido e olhando para o horizonte, Raffaello deixou de prestar atenção e pensava em como chegou até ali. Desde o início. Repassou na memória todos os dias, todas as horas, todos os minutos, procurando onde estaria o início daquele espetáculo patético de mentiras, tentando esconder o real motivo, que agora presenciava. Onde estava o detalhe que passou despercebido? O desvio de rota?

- ... e o que quero dizer é que para mim não está bom assim.

- Isso quer dizer que ... terminamos? Outra vez uso essa palavra porque não encontrei outra melhor.

- Eu não sei. É. Terminamos. Eu não sei. Essa situação ... não sei

- Você sabe ou não sabe? Você quer terminar ou não?

- Eu não sei o que eu quero ...

- Como eu disse, demos uma enorme volta para chegarmos ao ponto que interessa. Eu sei o que eu quero, Carmem. E posso colocar aqui agora em cima dessa mesa. Mas, tenho certeza que você não quer ouvir.

- ...

- Eu gostaria que você me dissesse o que a Carmem quer. Não quero saber da situação. Quero saber da Carmem.

- Eu não sei o que eu quero ...

- Bom, quem não sabe o que quer, está preso no limbo. Quem não sabe o que quer, não quer nada. Você não me quer na sua vida. Simples assim. Teríamos economizado muito tempo.

Raffaello estava decepcionado com Carmem e não queria salvar mais nada. Ela havia jogado fora a oportunidade de ser a mulher que imaginava ser. Justo naquele último momento, preferiu mentir. Eles haviam conversado várias vezes sobre a hipótese da relação não progredir. Até porque ela vivia dizendo que estava "emocionalmente indisponível", que não gostava de mentiras, que não era leviana etc.

Raffaello lhe dizia que não se preocupasse com aquilo e que se acontecesse de um dos dois não querer mais, bastava dizer. Como seres adultos que eram. Ele dizia: "Já sou bem crescidinho para lidar com isso". Parecia que ela não era.

Raffaello não estava triste, estava decepcionado porque acreditou em Carmem. Por escolha sua, havia se empenhado naquele fiapo de relação. Foi completamente honesto, abriu sua intimidade, seu coração. Não esperou nada em troca, não cobrou nada, foi gentil e tolerante. Apenas amou sem se preocupar com o futuro. Também estava aborrecido, pois não havia encontrado o tal detalhe despercebido e poderia ficar refém de lembranças e do pensamento mórbido: "poderia ter dado certo se ...". Mas - e sempre tem um mas - algo inesperado aconteceu.

- Eu sei é que estou apaixonada por mim e vou me entregar ao caos - falou alto Carmem, como se aquilo fosse um decreto. Tinha um sorriso no rosto.

Raffaello parou por um segundo. Estava com a expressão séria, testa franzida. Fitou Carmem nos olhos para ter certeza de que não havia engano. No momento seguinte, seu rosto relaxou como se tivesse finalmente desvendado uma intrincada fórmula de física quântica. Um momento de iluminação, de compreensão, de apreensão, de insight. Tudo ficou absoluta e perfeitamente claro. Sentiu alívio.

Chamou o garçon, entregou-lhe uma quantia de dinheiro mais que suficiente para pagar a conta e se virou para Carmem.

- Muito obrigado, Carmem. Você acabou de me libertar de uma ilusão tola, que poderia ter assombrado a minha vida. Foi um enorme prazer ter passado esse tempo com você. Você não faz ideia do quanto. Boa sorte.

Carmem nem se dignou a olhar para Raffaello. Virou-lhe as costas e resmungou algo incompreensível. Ele se levantou e saiu da cafeteria. Assim que colocou os pés na calçada, pegou o telefone celular, procurou um número e pressionou o botão virtual. Dois toques apenas e o outro lado atendeu.

- Alô ...

- Helga?

- Rafa ...

Dias depois, Carmem e sua amiga Emília estão no cabeleireiro.

- Aí eu disse pra ele: estou apaixonada por mim e vou me entregar ao caos! Ele me agradeceu. Disse que eu havia libertado ele de uma ilusão que poderia ter atravancado a vida dele, assombrado, sei lá. Depois me desejou boa sorte e foi embora. Até agora não sei o que ele quis dizer com isso.

- Ai amiga, eu posso usar essa frase também? Estou apaixonada por mim e vou me entregar ao caos ... (risos) É o máximo! Como você é inteligente!

Bernard estava terminando de pentear Carmem e não se conteve após ouvir o relato.

– Dá licença de entrar nessa conversa, meu bem? Está bem óbvio porque o tal do Raffaello disse aquilo. A decepção dele contigo só se completou nessa última frase aí que você soltou. Para sorte dele, porque ninguém merece perder um segundo na vida com a lembrança criada pela ilusão do que seja você. Pelo que ouvi, você mostrou com todas as letras que não sabe o que é paixão. Ninguém se apaixona por si mesmo. A natureza da paixão é ser fugaz. Fazer isso com você mesma é leviandade. Você se ama ou não, ponto. Por isso, meu bem, você mostrou também que desconhece o significado de “se entregar” a alguma coisa ou a alguém, porque isso exige desapego de si próprio, não estabelecer pré-condições para nada. Mas, o pior de tudo é que você não faz a menor ideia do que é o caos - disse um espantoso Bernard.

– Como não sei? Eu estudei Wicca, tá! De vez em quando, o caos é bom, é a fonte da criação, é a mãe natureza em ...

- Blá, blá, blá ... A sua frase de efeito pode ser considerada bacana e moderna em alguma rave dessas por aí, mas não passa de uma idiotice gigantesca. Caos, meu bem, é a mente de um psicopata, é a Cracolândia à noite, é bebê jogado pela própria mãe em caçamba de lixo, é linchamento, é pedófilo cercando o seu filho, é menino morrendo arrastado em carro roubado por assaltante drogado, é preconceito, é racismo, é ignorância, é guerra, é matar em nome de religião que prega o amor. Caos é o inferno, caos é o desamor.

- Mas, que absurdo! Não falei com essa intenção.

- Então você é mais ignorante do que pensei, porque além de não ter a menor noção do que está falando, também não sabe o que está atraindo para si mesma. Você é primária, tosca, burra, estúpida. Tsc, tsc, tsc ...

Emília se mete na conversa com ares de indignação.

- Mas, o que é isso? Você não pode falar assim com ela. Que intimidades são essas? Que absurdo! Você é um grosso, desequilibrado, neurótico. Nós somos clientes, estamos pagando ...

- Cala a sua boca, porra! - falou grosso o surpreendente Bernard.

- Essa é a minha casa e quem manda nessa porra sou eu!

- Ela é minha amiga e ...

- E você lá sabe o que é amizade? Conheceu ontem e já está com o "amiga" na boca. Amizade não é osso pra andar em boca de cachorra não. Por favor, você e sua "amiga", retirem-se imediatamente do meu salão e não voltem mais. O serviço fica por conta da casa. Não quero esse tipo de energia por aqui.

As duas "amigas" saem rapidamente com cara de ofendidas. Praguejando.

– A imbecilidade não conhece limites mesmo, né Bernard? - disse a pacata Josi, enquanto recolhia o seu material de trabalho.

– Esquece essa gente, Josi. Fecha o salão, pega o sal grosso e vamos fazer uma faxina geral agora. Até o ar ficou pesado aqui dentro. Afe! Vou acender um incenso também. Aproveita e vamos rezar um Pai Nosso.

Enquanto segue pela calçada em busca do carro, Raffaello fala ao telefone com Helga.

- Helga, eu sou um estúpido ...

- Rafa, o que aconteceu? Está tudo bem?

- Eu fui um tolo, um cego ...

- O que houve Rafa? Cadê a Carmem?

- Carmem? Que Carmem? Nem sei mais quem é essa criatura.

- Não deu certo, né? Que pena, Rafa ...

- Não poderia dar certo. Eu é que estava me enganando. Você me amando do jeito que eu quero ser amado e eu vacilando, apostando em nada, perdendo tempo ...

- Calma Rafa. Vai ver é só um mal entendido ...

- Não Helga, não é um mal entendido. Foi tudo um grande mal entendido. Agora não é mais. Agora entendo o que está acontecendo. Você é a mulher da minha vida e eu fui estúpido o suficiente para não perceber isso. Se você ainda me quiser, eu vou ... já perdemos muito tempo ... eu quero ...

- Rafa, me escuta. Infelizmente, não tenho boas notícias para você. No mês passado, lá na Europa, eu conheci um homem muito legal e nós ... estamos juntos agora ...

Foi como se o relâmpago de um castigo divino tivesse caído bem na cabeça de Raffaello. Ele se sentiu como na primeira vez que tomou o chá Hayuaska numa tribo amazônica junto com sua amiga, a famosa antropóloga Camélia Moreira. Ela é amiga de vários Xamãs. Raffaello estava pesquisando rituais mágicos índios para um livro e pediu que ela o levasse até uma tribo para participar de um desses rituais. Naquela noite, ele saiu do próprio corpo e assistiu sua cabeça se abrir, rasgada por raios de luz que saiam de dentro.

Naquele breve instante de paralisação causada pela surpresa da notícia dada por Helga, Raffaello viu sua vida passar diante dos olhos. Lembrou dos ensinamentos que recebeu de monges budistas, de médiuns espíritas, de Xamãs índios, da mestra de Yoga, do Bushido, de amigos e amigas bem mais velhos e do seu pai. Especialmente sobre a responsabilidade própria em tudo que nos acontece, de bom ou de ruim. As escolhas que fez, todos os acertos e erros que cometeu.

- Ninguém sai impune da vida. Um dia a conta chega e temos que pagar - num sussurro, o pensamento atravessou seu cérebro na velocidade da luz.

Havia apostado seu amor na mulher errada e, talvez por isso, acabara de perder a mulher certa. Não havia mais nada a fazer ou a lamentar. Tudo fazia parte do grande círculo da sua vida. O silêncio acabou.

- Helga, eu só posso te desejar toda a felicidade do mundo. Ninguém merece mais do que você.

- Me desculpa Rafa ...

- Não há do que se desculpar. Eu é que dei mancada. É apenas a lei natural da vida. Demorei tempo demais para enxergar o óbvio. Você finalmente encontrou alguém e, para estar contigo, deve ser um cara legal mesmo. Felicidades, minha amiga. Você é uma mulher fantástica e esse cara é um sujeito de sorte.

- Amiga? Ô Rafa! E eu lá quero ser sua amiga? Para com isso!

- Como ...?

- Não acredito que você caiu nessa ... você acha mesmo que eu trocaria você por qualquer homem desse mundo? Mesmo se eu estivesse com alguém, já teria dançado na hora em que atendi o telefone e ouvi a sua voz. Você é o homem da minha vida desde os meus 14 anos de idade. Estou zoando contigo ... (risos). Essa conversa estava muito séria e triste. Você acaba de me fazer a mulher mais feliz do planeta! Vamos rir! Eu quero festejar, quero alegria!

Raffaello teve que sentar no meio fio. Estava tonto. Não sabia se ria ou se chorava. Tremia da cabeça aos pés.

- Então, quer dizer que ...

- Quer dizer que sou louca por você. Quer dizer que não tenho nem nunca tive qualquer dúvida sobre isso. Quero você do meu lado para o melhor e para o pior, quero dormir e acordar com você, quero sorrir e chorar com você, quero ter filhos seus, quero cuidar de você e ser cuidada por você até morrer. Quero andar de mão dada, quero abraçar, quero beijar. Quero deitar no seu peito e sonhar. Quero ser feliz e quero que você seja feliz. Quero te amar e ser amada por você. Estou pedindo muito?

- Não ... há poucos minutos, descobri que é exatamente isso que eu quero também. Eu estou completamente zonzo ...

- Então respira fundo, corre até em casa e faça sua mala. O jatinho te pega no aeroporto em duas horas. Vem pra cá e daqui a gente segue para uma vinícola chamada The Mountain Winery, que fica em Saratoga, na Califórnia. O Credence Clearwater vai fazer um show lá. É a sua banda favorita. Você quer ir?

- Pô Helga, você só pode estar brincando ...

- Vai ser o começo da nossa lua de mel, que tal?

- Já vou fazer minha mala!

- E vamos começar a fazer os nossos bebês?

- Essa é a melhor parte! Eu quero muitos ...

- Quantos você quiser, meu amor ... gosto de família grande. Mas, você tem que me prometer que nunca mais vai andar de moto. Eu não gosto, é perigoso.

- Vamos negociar (risos).

Três anos depois, Raffaello e Helga estão morando em outro país. Ele acabara de colocar as gêmeas para dormir. Duas ruivinhas idênticas e tão lindas quanto a mãe. Foi até o quarto onde Helga estava deitada lendo um livro.

- Deita aqui comigo meu amor. Quero ler um trecho pra você. Esse livro é sensacional.

Raffaello parou na beirada da cama e olhou demoradamente para sua esposa. Sentiu uma onda de amor percorrer seu corpo. Ela continuava absurdamente linda, mas estava diferente. Uma aura cristalina em torno do seu corpo deixava sua pele branca e seus cabelos ruivos com uma luminosidade divina. O maior de todos os milagres estava acontecendo.

- O que foi Rafa? Você está vendo alguma coisa?

- Você sabe ... não tenho controle sobre isso. Apenas acontece.

- O que você está vendo meu amor?

- Helga, você está grávida! Tem uma nova vida chegando, outro milagre ...

No Brasil, Carmem está deitada no sofá assistindo Big Brother Brasil. Ela também está diferente. Agora, pesa 48 quilos a mais. Acaba de comer incontáveis sacos de batata frita, uma caixa de sucrilhos e um pote enorme de sorvete de chocolate. A melhor amiga Emília desapareceu assim que conheceu outra "melhor amiga", a quem foi dar conselhos sobre como deveria tratar o namorado ...

O apresentador Pedro Bial, mais detonado ainda, continua achando que é poeta e fazendo o espetáculo patético da erudição de almanaque do Biotônico Fontoura, para a alegria das multidões, dos rebanhos hipnotizados. Carmem gosta.

A janela aberta deixa entrar uma friagem. Ela tem problemas respiratórios agravados pelo excesso de peso. O espirro veio naturalmente forte. Carmem teve morte fulminante. O laudo dos médicos legistas deu como causa da morte um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Lanchonete do Instituto Médico Legal. Dois médicos legistas conversam enquanto almoçam.

- Sabe aquela mulher que morreu de AVC?

- A gordona?

- Essa mesma.

- Que qui tem?

- Acho que o que matou ela foi um espirro.

- Espirro? Achei que tinha sido AVC.

- É, mas o que causou o AVC foi o espirro.

- Deixa de onda ...

- É sim. Eu li no jornal sobre uma pesquisa mostrando que cafeína, orgasmo e espirro podem causar AVC.

- Que besteira é essa?

- Também achei uma babaquice. Até que vi o nível de cafeína no sangue daquela mulher. Ela tinha tomado cinco litros de Coca Cola. O nível de cafeína estava altíssimo.

- E o espirro?

- Havia contrações típicas na traqueia, laringe, pulmão e nariz ... se juntarmos os dois fatores: cafeína mais o espirro ...

- Pô, isso dava um episódio do C.S.I. (risos)


The End


Alguém já disse que "viver não é para amadores". Tenho que concordar, pois a vida não é cor de rosa. É preciso coragem para viver. E coragem exige honestidade consigo mesmo. A vida sempre nos cobra alguma coisa e cada cobrança nos causa alguma dor. E como dói!!! Mas, aquilo que não nos mata, só nos fortalece. Somos os únicos responsáveis por tudo que nos acontece. São nossas escolhas - erradas e certas - que constroem as nossas identidades, os nossos destinos.

Não foi diferente para Carmem e Raffaello. Cada um fez suas escolhas e colheu o respectivo resultado. Como vocês puderam notar, a história é muito simples. O que complica são as pessoas com suas incertezas, suas inseguranças paralisantes, suas cegueiras, suas pequenezas, suas mesquinharias, suas espertezas. Quem sabe o que quer, segue adiante na vida. Errando e acertando, mas indo em frente e vivendo de forma franca e honesta. Quem não sabe ... abdica da vida e se torna mais um zumbi.

Coloco na conta das "escolhas certas" a decisão de escrever essa Blog-Novela junto com as leitoras e os leitores do Café & Conversa. Especialmente as mulheres, que me ajudaram a compor as personagens e a escolher os nomes de Carmem, Helga, Emília, Bernard e Josi. Até o Raffaello elas influenciaram. Foi uma experiência fabulosa e enriquecedora sob todos os aspectos. Aprendi muito com vocês e jamais poderei agradecer o suficiente as sugestões, dicas, críticas, ideias, comentários e opiniões. Todos fabulosos.

Foi desse manancial coletivo, dessa enchente de criatividade, que retirei o material necessário para construir personagens, tramas, diálogos, cenários e tudo o mais. Claro que utilizei um pouco da licença poética permitida aos escritores e adicionei umas pitadas aqui e ali das minhas observações cotidianas e do que sei, apenas como adorno. Mas, a obra é pura ficção saída da minha, da sua, da nossa imaginação.

Espero que tenham gostado e se emocionado tanto quanto eu nessa jornada. Esse exercício acabou me motivando a terminar dois livros inacabados. Agradeço de coração a todos que colaboraram e aos que leram e acompanharam a Blog-Novela Broken Heart's Brodo. Agora, se me derem licença, tenho que providenciar o visto americano no meu passaporte. Não é todo dia que posso assistir um show ao vivo do Credence Clearwater ...

Fiquem com Deus e boa sorte!

12 comentários:

Anônimo disse...

Esse final é brabo, quase cruel. Ufa! Graças a deus a Carmén foi exemplarmente punida por sua pusilanimidade e,porque brincou com os sentimentos.Talvezz por isso, eu tenha gostado tanto. Memelia

Clara Favilla disse...

Nossa, a vingança de Rafaello foi maligna. O autor pode defendê-lo e dizer que o rapaz nada tem a ver com o destino cruel de Carmem, afogada na própria obesidade. Dirá que o destino se define na origem. Mas é fica implícito que Rafaello jogou uma praga tenebrosa sobre Carmen ao se definir tão rapidamente por Helga, sempre a sua espera. Sem o fim trágico de Carmen, a felicidade de Rafaello não seria completa. Rafaello e Carmen são as duas faces de uma mesma moeda.Segundo a Memélia, a perfeita representação do deus Janus, o de duas faces. Além disso, fica claro que o hair stlyst na verdade fala para Carmen tudo o que Rafaello deveria ter dito, mas não disse por orgulho ou por raiva. Outros comentários faremos no decorrer do dia.
Beijos.

Marven disse...

Havia dito que me surpreenderia se, e apenas se, Raffaello e Carmem continuassem juntos. Qual o quê! Me vi como Raffaello, no meio da rua (cena, aliás, de um filme à la Holywoooood), num turbilhão de emoções.

Helga arrasou no susto e surpreendeu até o mais expert dos leitores - eu, por exempolo (risos altos).

Carmem, se não teve o fim que mereceu, teve o fim que escolheu. Na vida é assim - "cada escolha, uma renúncia". No seu caso, renunciou a possibilidade de, ao menos, tocar a felicidade...

Um brinde ao amor! Um brinde a Broken Heart's Brodo! Isso o faço literalmente com uma taça de vinho - um costumeiro argentino.

Parabéns Kassatti de responsa e com dois "Ts"!!

Café & Conversa disse...

Querida Memélia,

Carmem não foi punida. Ela alcançou o resultado das suas escolhas. Se foram certa ou erradas, só ela poderá dizer. Mas, fico feliz que você tenha gostado e torcido pela Helga : )

Abraço da Redação do Café & Conversa

Café & Conversa disse...

Querida Clara Favilla,

O autor não defenderá Raffaello, porque ele não precisa ser defendido. Ele não jogou uma praga em Carmem. Apenas saiu de cena desejando a ela boa sorte em sua vida.

Sim, Helga esperava por Raffaello desde que ela tinha 14 anos de idade. Se isso não é amor, eu não sei mais o que é. Mas, ela não ficou em casa, triste e esperando. Ela foi a à luta, porque é uma lutadora e sabe o que quer.

A definição de Raffaello por Helga não foi rápida. Foi uma iluminação, como está lá no último capítulo. Ele percebeu o quanto vinha vacilando e perdendo tempo com uma mulher tola como a Carmem. Ele se curou. E perder tempo é um luxo que ele não se permite, como está lá no último capítulo.

A felicidade de Raffaello não dependia do "fim trágico" de Carmem. Só dependia dele finalmente compreender que Helga é a mulher da vida dele, como está lá ... você sabe : )

Raffaello poderia ter dito a Carmem tudo o que Bernard disse. Ele não disse por "raiva ou orgulho", mas por não ver qualquer ganho em falar aquelas coisas. Ela não aprenderia nada, como não aprendeu. Apontar falhas só as reforçam. Raffaello acredita que esse tipo de "julgamento" utiliza parâmetros que só tem valor para quem julga. Além disso, Raffaello é gentil e bem educado.

A sacada do deus Janus foi boa, mas na verdade Janus representava os começos e os término, o passado e o futuro. Ocupava o posto de porteiro celestial na mitologia romana e também era conhecido como o "deus das indecisões". Acho que ele seria o santo da devoção da Carmem ...

Abraço da Redação do Café & Conversa

Café & Conversa disse...

Querida Marven,

Fico feliz que você tenha gostado da Blog-Novela Broken Heart's Brodo. Especialmente das reviravoltas, surpresas e emoções. Procurei me esforçar ao máximo para alcançar esse resultado.

Você conseguiu emocionar esse modesto escritor : )

Beijão

Ricardo Icassatti Hermano e toda a Redação do Café & Conversa

Clara Favilla disse...

Há o texto e o sub-texto;a linha e a entrelinha. A interpretação do autor só é válida antes do texto ganhar o mundo, ser publicado.

Depois disso, o autor não tem mais controle sobre o que escreveu. Os leitores são co-autores e as interpretações. as versões passam a ser tão ou mais importantes que o original.

Café & Conversa disse...

Querida Clara,

Neste caso da Blog-Novela Broken Heart's Brodo, o autor não pretendeu e nem pretende ter qualquer controle sobre o que escreveu ou sobre as interpretações das(os) leitoras(es).

Muito pelo contrário. O autor gosta muito de conhecê-las.

Mas, sempre que possível, cabe ao autor explicitar a sua intenção em relação à trama, sentimentos que procurou despertar, soluções que encontrou e como chegou a elas.

Essa prática é muito comum nos Estados Unidos, onde os autores fazem leituras de suas obras para grupos de leitores e explicam as dúvidas, curiosidades etc.

Beijão

Redação do Café & Conversa

isabela disse...

Muito instável o Rafaello. De uma hora pra outra gosta da Helga?

Quanto à Carmem, coitada. Ela não merecia tanto, né? Se fosse a Odete Hoitman tudo bem, mas a carmem só era chatinha, não era má.

Café & Conversa disse...

Querida Isabela,

O Raffaello não passou a gostar da Helga "de uma hora para a outra". Na verdade, ele sempre gostou. Apenas não sabia disso e após ter um momento de revelação - proporcionado pela Carmem, diga-se de passagem - ele percebe tudo e decide não perder mais um segundo da sua vida longe da Helga.

Quanto ao merecimento de Carmem, falamos e fazemos coisas achando que não geram consequências. Mas tudo aquilo que pensamos, falamos, sentimos e fazemos gera consequências. Como disse aquele pensamento que atravessou a mente de Rafaello com a velocidade da luz: Uma hora a vida vai nos cobrar ...a impunidade é uma ilusão ; )

Espero que tenha gostado da Blog-Novela. Você foi uma das colaboradoras e nos ajudou bastante : )

Beijão

Redação do Café & Conversa

Telma D. Monteiro disse...

Feliz final!Meu lado emocional gostou. Meu lado realista, prático, não. Bom se a vida real fosse assim...
Parabéns! Abs

Café & Conversa disse...

Querida Telma,

Você foi uma das minhas mais preciosas colaboradoras. Meu lado realista teve que ser desativado ao escrever essa Blog-Novela, porque novela é assim mesmo, não tem lógica, é só emoção. E quanto mais mirabolante for, melhor : )

Beijão e obrigado pela sua participação.

Redação do Café & Conversa