segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Música do Dia - Cuitelinho - Nara Leão


Romoaldo de Souza

Estava aqui pensando o que escrever nesta segunda-feira sobre a música do dia. Depois de um domingo surpreendente, de falar sobre Vitória (ES), de peixes, pescarias, alpendres e vinhos e foi aí que lembrei: faz 21 anos que a Musa da Bossa Nova morreu.


Nos braços de Nara muitos marmanjos criaram excelentes

composições no movimento da Bossa Nova


Capixaba, Nara Leão é uma espécie de mãe, madrinha, parteira da Bossa Nova. Foi na casa, quer dizer, no apartamento dos pais dela, que aquela turma toda, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Ronaldo Bôscoli, começou o mais virtuoso movimento musical brasileiro. Pobres de seu Jairo e de dona Altina Leão. Aquela gente toda, o barquinho, o violão e umas garrafas de pinga.


Nara Leão simpatizou-se também pelas idéias "revolucionárias" do cineasta Ruy Guerra, mas ainda bem que não se enveredou nos projetos do namorado. Flertou com a UNE (União Nacional dos Estudantes) e com o Tropicalismo. Do primeiro "Nara", em 1964, ao último "My Foolish Heart", Nara Leão gravou perto de 30 discos. Em um deles, a irmã de Danusa Leão resolveu prestar uma homenagem ao que chamou certa vez de "raízes musicais do Brasil".


O escritor, zoólogo, compositor e cantor de Ronda, Paulo Vanzolini, tinha feito uma viagem pelo interior de Mato Grosso. Ainda não existia Mato Grosso do Sul. Escutou de um pescador do Pantanal, uma música de uma sonoridade singular. Recolheu e muita gente gravou, entre elas, Nara Leão.


"Cuitelinho" nome que se dá ao beija-flor em algumas

partes do centro e do sul do Brasil


Cuitelinho


Cheguei na bera do porto
Onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
senta na beira da praia.
E o cuitelinho não gosta
que o botão de rosa caia.

Quando eu vim de minha terra,
despendi da parentaia.
Eu entrei no Mato Grosso,
dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução
enfrentei forte bataia.

A tua saudade corta
como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
bate uma, a otra faia.
E os oio se enche d'agua
que até a vista se atrapaia.



3 comentários:

FÁBIA disse...

escuto Nara desde pequena, minha mãe cantava para eu dormim, e a minha preferida era Cuitelinho. não vivi a epoca dela, mas mesmo assim tenho saudades

BETH RANGEL disse...

A MÚSICA É LINDA!NOS ALPENDRES DE QUE TANTO SINTO SAUDADES,EXISTIA UMA REDE DE VARANDAS(COISA DE CEARENSE).BJS

Ana disse...

deu saudade de casa...
beijo.