domingo, 11 de abril de 2010

Café com pamonha, uma receita de simplicidade


Romoaldo de Souza

Sabe essas coisas mínimas, que às vezes, a gente enche os pulmões de razão para dizer que não têm a menor importância e quase sempre são marcantes? Determinantes nos valores humanos que a vida vai nos ajudando a construir?

Pamonha, $ 2; chapéu, $ 10; cafeteira, $ 29; caneca, um presente.
O encontro não tem preço

Pois a história de hoje, tem alguns personagens principais, como Alexandre de Souza, um caminhoneiro, ex-plantador de café, vendedor de feiras livres e cigano nas horas que precisou; uma caneca de Café Orfeu e uma pamonha doce. Tem também personagens secundários, como Alexia Deschamps; uma bicicleta Peugeot ano 2000 e um chapéu de nylon, de R$ 10.

Neste domingo, depois de passar a noite velando a sono de Francisca Pereira, mulher de Alexandre e minha mãe, fui despertado por meu pai, dizendo que daria uma "saidinha" e que voltaria antes das 8h para tomarmos café juntos.

- Se bem que, como você sabe, eu não tomo café. Mas vamos papear juntos! - alertou.

Olhei o meu Tommy Hilfiger marcando 6h19. Vi que daria para puxar um cochilo até que dona Francisca despertasse novamente. Ela me acordou 11 vezes entre a meia noite e as 8h da manhã.

Nos anos de 1960, meu pai trabalhou na colheita de café no noroeste do Paraná, no município de São João do Caiuá. Deve ser dessa época que passou a detestar café. Foi aí, também, que minha mãe ficou grávida e ganhou de presente essa caneca. Era abril de 1960. A tinta já foi pro espaço, mas esteve escrito, durante esses anos todos a palavra "Felicidades!"

Romoaldo, já tomou seu café da manhã, hoje? Venha, querido!!!

Em maio de 1991, a TV Globo botou no ar a novela "O Dono do Mundo", contando a história de Felipe Barreto (Antonio Fagundes) um cirurgião plástico, com uma flexibilidade moral de fazer inveja nos dias de hoje. Nessa novela, aparecia de vez em quando, Liliane, a secretária do doutor Felipe, na clínica de cirurgia plástica. Foi paixão à primeira vista pela atriz argentina Alexia Deschamps.

Ei, veja como ainda monto nessa Alexia. Hummm, Alexia

Anos depois, uma amiga, a jornalista Márcia Turcato, me deu de presente uma bicicleta que trouxe de Porto Alegre. Pronto! "Batizei" minha bicicleta de Alexia Deschamps. Foi nessa Peugeot que meu pai foi comprar a pamonha, na praça do Bicalho, em Taguatinga, para o café da manhã. O café Orfeu foi servido na caneca que minha mãe ganhou no Paraná.

Hoje pela manhã, reuni esses personagens, tomei café da manhã com meu pai, recordando os tempos em que morávamos nas fazendas de café no interior do Paraná. Tomei o meu Orfeu, feito na cafeteira French Press, enquanto meu pai comia pamonha tomando uma vitamina de abacate, que eu detesto.

Assim como ele não sabe bem porque não gosta de café, que eu acho que foi por causa do período em que viveu no Paraná, eu também não sei porque não gosto de abacate. Vai ver que é por causa da queda de tomei de um pé, quando era adolescente, em Petrolina, na garagem da Joalina, empresa de ônibus, em que trabalhei como cobrador, fazendo a linha Juazeiro (BA) Petrolina (PE).

- Vai ver que é por isso - disse meu pai.

- É. Não duvido - concluí.

Nossas histórias de hoje, não se resumiram a esse diálogo sobre o cafezal paranaense e o abacateiro de Petrolina. Mas, que foi um ótimo começo de semana, ah isso foi!

Vem logo, rapaz! Comprei 3 pamonhas e não quero que sobre, heim!!!

Bom, e para completar a história e falar, também da música do dia, recordo bem, que em "O Dono do Mundo" fazia uma sucesso danado o "dueto" de pai e filha: Nat King Cole & Natalie Cole, interpretando Unforgettable.

Bom domingo! Estou agora, no twitter. www.twitter.com/CafeConversa


Unforgettable

Nat King Cole & Natalie Cole


Unforgettable, that's what you are


Unforgettablethough near or far

Like a song of love that clings to me

How the thought of you does things to me

Never before has someone been more


Unforgettable in every way

And forever more, that's how you'll stay

That's why, darling, it's incredible

That someone so unforgettable

Thinks that I am unforgettable too


Unforgettable in every way

And forever more, that's how you'll stay

That's why, darling, it's incredible

That someone so unforgettable

Thinks that I am unforgettable too




2 comentários:

Ana disse...

Tudo isso, Romoaldo, são valores que não têm preço!Parabéns pela história!

Cartas de Brasília disse...

Oi Romo,

Como vc tá parecido com seu pai..
Fiquei feliz em saber q a bike ainda cumpre seu papel de transportar gente por aí. Vala lembrar q foi nela q pedalei de PoA até a Lagoa dos Patos p acampar, levando toda a tralha em seu mini bagageiro. Imagino q ela tenha mais de 30 anos. Uma linda balzaquina.
Bom dia e boa semana