sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Música do Dia - Homeless - Ladysmith Black Mambaza


Romoaldo de Souza


Toda manhã, Dedeus se prepara para sua grande aventura: observar a madame. Isso mesmo. O escrivão do Cartório de Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco, era tão desatento, que Dona Das Dores chegou para registrar o filho e disse que queria que ele fosse chamado de João de Deus. Virou Dedeus.


Ele chegou a São Paulo, com uma mão na frente e outra atrás. Ainda hoje está em busca da terra prometida que todo santo dia, Dona Das Dores pedia a Deus. E mesmo com o nome do Altíssimo na Certidão de Nascimento, até agora nada ... é mais um sem-teto, um morador de rua.


Quer dizer. Nada não! Dedeus tem lá seus momentos de Paraíso. Do alto da sabedoria dos seus quase 60, com aparência de quem tem perto de 60, Dedeus está nas estatísticas das ONGs, das pastorais, dos movimentos sociais. Ele sempre é um número quando esses grupos estão cadastrando pessoas desvalidas, para justificarem suas respectivas políticas de captação de recursos, para seus projetos nababescos.


Toda manhã Dedeus se levanta, varre a "porta da casa", se troca, penteia os poucos cabelos que ainda restam e vai sentar-se esperando a madame.


Dedeus adora barulho de motocicleta e madames passeando nas imediações da "casa" dele. Aquelas madames que preferem as ruas às academias. Aqueles corpos quarentões, com cheiro de 22 …


- Hum, lá se vem a madame ... - pensa e cheira Dedeus!


Com o barulho das motocicletas, Dedeus aprendeu que muitas delas varrem as laterais dos veículos, com a força de um tufão.


- Crááássss!!!! Lá se vai mais um retrovisor!


Dedeus corre. Pega o espelho do carro que ficou no chão, quase intacto, enquanto o motorista do Tempra, que ouvia um batidão a toda altura, usando uma dessas idiotas camisas de time de futebol, desfiava um rosário de palavras.


- Fica com essa p* pra tu, mano! - bradou o motora.


É naquele espelho que Dedeus se olha. Se admira e nutre esperança para que não chova naquela calçada, onde a madame passa (quase) toda dia, fazendo a ginástica dela. Cantarolando uns sons que ele não sabe de onde vem, mas isso não importa.


- Até sem teto, tem seu momento de prazer! - pensa baixinho.


Mas logo passa. Dedeus volta a sonhar com o dia seguinte, enquanto a madame segue desfilando seu charme e seu cheiro de 22 anos. Ginásticas fazem milagres na vida das madames e no coração do nosso homeless.


Dedeus, dificilmente vai ler esse post, mas a madame e o pessoal das ONGs, sim. Imprimam e leiam para ele. Vai sentir-se importante! Leia, madame! Leia para ele!


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Homeless


Paul Simon


Emaweni webaba

Silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni

Webaba silale maweni


Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

We are homeless, we are homeless

The moonlight sleeping on a midnight lake

And we are homeless, homeless, homeless

The moonlight sleeping on a midnight lake


Zio yami, zio yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami amakhaza asengi bulele

Nhliziyo yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami, angibulele amakhaza

Nhliziyo yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami somandla angibulele mama

Zio yami, nhliziyo yami

Nhliziyo yami, nhliziyo yami


Too loo loo, too loo loo

Too loo loo loo loo loo loo loo loo loo

Too loo loo, too loo loo

Too loo loo loo loo loo loo loo loo loo


Strong wind destroy our home

Many dead, tonight it could be you

Strong wind, strong wind

Many dead, tonight it could be you


And we are homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake

Homeless, homeless

Moonlight sleeping on a midnight lake


Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?

Somebody say ih hih ih hih ih


Yitho omanqoba (ih hih ih hih ih) yitho omanqoba

Esanqoba lonke ilizwe

(ih hih ih hih ih) Yitho omanqoba (ih hih ih hih ih)

Esanqoba phakathi e England

Yitho omanqoba

Esanqoba phakathi e London

Yitho omanqoba

Esanqoba phakathi e England


Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody sing hello, hello, hello

Somebody say ih hih ih hih ih

Somebody cry why, why, why?


Kuluman

Kulumani, Kulumani sizwe

Singenze njani

Baya jabula abasi thanda yo

Ho




Um comentário:

Luciano Nunes disse...

Muito bom esse Post, outro dia tambem publiquei uma historia parecida la no meu Blog, com o Titulo "Seu Irineu" um senhor de 78 anos que trabalha como "plaqueiro" nas ruas do centro de Sao Paulo, a historia dele muito se assemelha ao seu Homelless. Parabens! Uma historia que me faz refletir, e pensar, porque tantas pessoas nesse mundo tem apenas sobrevida, ao inves de vida de verdade. Parabens